ÍNDICE DOS TÓPICOS ( CLIQUE NA SETA PARA LER OS TEXTOS )
A História da nossa bandeira
Nosso Hino
Dia Internacional em Memória das vítimas do "porrajmos"
Entrevista MigraZine
Interview to Migrazine
Sarah la Kali
Embaixada Cigana do Brasil tem trabalho reconhecido na Espanha.
Liberdade Religiosa versus Liberdade de Cultura
O Estado de S. Paulo - Papa lamenta morte de crianças ciganas
 A Mitomania gerando esteriótipos Ciganos.

Mitomania Cigana II - Mentir para si mesmo é sempre a pior mentira.

Dia Internacional Cigano
08/04/2010 O Dia Internacional dos Ciganos - Entre o Amor e o Ódio
Katar avas ame?

A História da nossa bandeira

Em 1933 a Associação Geral dos Ciganos na Romênia, sediou o Congresso Mundial Cigano. Onde entre outros assuntos foi discutida a possibilidade da instituição de uma bandeira (a princípio a idéia apresentada era um retângulo dividido ao meio entre duas cores: azul e verde).

A bandeira foi oficialmente aprovada em 1971, durante a realização do Primeiro Congresso Mundial Romani, que teve lugar em Orpington, perto de Londres, no Reino Unido. Estiveram presentes 23 representantes de 9 países (Tchecoslováquia, Finlândia, França, Grã-Bretanha, Alemanha, Hungria, Irlanda, Espanha e Jugoslávia) e ainda observadores da Bélgica, Canadá, Índia e Estados Unidos.

A nova bandeira oficial de 1971 apresentava um recurso adicional: uma roda (que é a própria roda do “vurdon” da carroça) na cor vermelha e com dezesseis aros.

Qual o motivo? É simples: as despesas para a realização desse Congresso foram dividades entre uma associação de igrejas e a maior parte coube ao governo da Índia. Portanto, “nascia” a bandeira cigana inspirada na bandeira da Índia.

Na bandeira da Índia temos a cor laranja que significa, desinteresse e pureza; a cor branca que é a cor do respeito e da verdade; e o verde a necessidade de relação e respeito com a terra. A roda “ashoka”, em azul marinho,  no centro do branco representa a lei do dharma.que significa “ a lei natural”  ou a virtude que deve ser o princípio que controla aqueles que habitam  essa nação.

Na bandeira cigana temos a cor azul que lembra-nos o caminho a ser trilhado no futuro; o verde o caminho que trilhamos agora, no presente; e a roda vermelha é justamente as 16 virtudes que temos que manter vivas em nosso passado: do amor, da fraternidade, da coragem, da paciência, da bondade, da fidelidade, da verdade, da justiça, da humildade, da sabedoria, da esperança, da retidão, da brandura, da alegria, do altruísmo, do respeito a Deus.

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Nosso Hino

A letra foi composta por Zarko Ivanovich, 1969. Inspirado no genocídio que sofremos durante a Segunda Guerra e que denominamos de “porraimos” porque muitos foram devorados pelo Nazismo.

A letra foi musicada e oficialmente adotado como Hino no Primeiro Congresso Mundial Romani em 8 de abril de 1971. A melodia foi baseada em uma tradicional canção de amor cigana da Sérvia.

Gelem, gelem, lungone dromenca
Fui, fui por longas estradas

Maladilem baxtale Romenca
Encontrei ciganos de sorte

Gelem, gelem, lungone dromenca
Fui, fui por longas estradas

Maladilem baxtale Romenca
Encontrei ciganos de sorte

Ai, Romale, Ai, shavale,
Oh, homens, oh jovens

Ai, Romale, Ai, shavale.
Oh, homens, oh, jovens

Ai Romale, katar tumen aven
Oh ciganos de onde vocês vem

Le tserenca baxtale dromenca
Com suas afortunadas tendas na estrada

Vi-man sas u bari familia
Eu também já tive uma grande família

Thai mudardias la e kali legia.
E ela foi morta pela legião preta (uma referência a roupa dos nazistas)

Aven manca sa lumiake Roma
Venham comigo todos os ciganos do mundo

Kai putraile le Romane droma
Para onde as estradas estão abertas aos ciganos

Ake vrama - ushti Rom akana
Agora é hora – levantem-se ciganos

Ame xutasa mishto kai kerasa.
Nós teremos sucesso no que fizermos

Ai, Romale, Ai shavale,
Oh, homens, oh, jovens,

Ai, Romale, Ai shavale.
Oh, homens, oh, jovens.

 

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Dia Internacional em Memória das vítimas do "porrajmos"

Hoje, Dia Internacional em Memória das vítimas do "porrajmos" - o genocídio cigano praticado pelos nazistas que exterminou 500 mil ciganos durante o regime de Hitler na Alemanha - assassinados em câmaras de gás, em fuzilamentos em massa e em "experiências" usando nossas crianças e mulheres como cobaias - e que não deve cair no esquecimento de toda a Humanidade.

E foram justamente esses horrores praticados na II Guerra Mundial que deram lugar a um dos fundamentos da carta dos Direitos Humanos que menciona no artigo 2:

“Toda pessoa tem todos os direitos e liberdades proclamados nesta Declaração, sem distinção alguma de raça, cor, sexo, idioma, religião, opinião política ou de qualquer outra índole, origem nacional ou social, posição econômica, nascimento ou qualquer outra condição”.

Isso é bonito, mas não passa de mais uma hipocrisia!

Atualmente vivem cerca de 70 mil ciganos na Alemanha, dos quais 50 mil são ciganos Sinti e 20 mil são ciganos Rrom. Até hoje somos discriminados, embora lá sejamos "cidadãos" alemães e há seis séculos vivendo naquela região.

Ao contrário do que dizia a campanha nazista, vivíamos integrados à sociedade.

No passado, o que os nazistas fizeram conosco usando da força física
No presente, alguns países estão fazendo com o uso da ideologia
No futuro...

este tempo ainda estamos construindo!

Amen san Rroma.

Nicolas Ramanush
cigano do clã Sinte-Valsktike
27/01/2012

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Entrevista MigraZine

1º) Considerando que existemos três grandes clãs ciganos representativos no Brasil : os Rom (vindos da ex-Iugoslávia, Sérvia e de outros países do Leste Europeu), os Calo (que vieram da Espanha e de Portugal) e os Sinti (vindos da Alemanha, Itália e França), o que eles tem em comum e em que divergem?

 Em comum Rom,Calon e Sinte temos o fato de nos auto-denominarmos "ciganos". Ainda que, indivíduos de cada um desses grupos costume dizer-se o verdadeiro cigano, não reconhecendo a ciganidade do outro grupo.
 Exemplo, é muito comum em um acampamento ouvir de um Calon que ele sim é cigano, por esse ou aquele motivo.E o mesmo se ouve entre membros de outros grupos com relação a si próprios., negando a ciganidade de outros. E isso acontece pelo fato de que cada indivíduo, seja Rom,Calon ou Sinto, se auto-identifica como cigano e tem o reconhecimento dentro de seu grupo. As divergências são muitas e existem por diversos fatores: as diferenças dialetais do Romani; os valores culturais adquiridos, por cada grupo, nas regiões de permanência após a saída da Índia; e as especificidades culturais que cada grupo já possuía antes mesmo de deixar a Índia.
Analisemos cada um desses fatores para que possamos entender melhor: 

- as diferenças dialetais são tão significativas que pela existência delas, ainda não possuímos uma normatização para o Romani. Nossa língua ainda é considerada ágrafa (fato que vem sendo trabalhado desde o Congresso Internacional ocorrido em 1978, quando ficou decidido a necessidade da normatização do Romani); 

- os valores culturais adquiridos nas regiões de permanência criaram sérias divergências, inclusive de ordem religiosa: ciganos que ficaram em Turquia, converteram-se em larga escala ao Islamismo, os que ficaram na Grécia, ao Catolicismo ou Cristianismo Ortodoxo e aqueles que chegaram ao continente Americano, ao Protestantismo. E, por exemplo, ao contrário dos Judeus que professam o Judaísmo (fator de coalizão) não há entre nossos grupos um sistema religioso que predomine;

- as especificidades culturais que cada grupo possuía, ainda na Índia, eram oriundas do sistema de "castas", cuja existência se dava pela divisão e subdivisão entre a população indiana. A exemplo disso posso citar o rito do casamento, do funeral e da viuvez . Que talvez por atavismo, principalmente entre o grupo Calon, ocorrem aqui no Brasil quase que da mesma maneira como ocorriam entre as castas ciganas de mil anos atrás, na Índia:

- o casamento é endogâmico e contratado pelos pais dos jovens;
- no funeral queima-se tudo o que pertenceu ao defunto;
- as viúvas  costumam guardar luto "eterno". Ainda hoje, em muitas regiões da Índia, a viúva é vista como um peso para a família. E como é rodeada por muito preconceito e superstição, enclausura-se em lugar próprio para ela.

2º) Ao longo dos anos vividos no Brasil, o povo cigano tem sido discriminado até mesmo entre seus clãs; sendo que a língua também é um diferencial, visto que os Rom e os Sinti falam o romanês e os Calom falam o shib kalé (fusão do romanês com o espanhol e o português). Ante a essas diferenças, o que motivou a formação da Embaixada Cigana no Brasil e como funciona sua organização ?

Essas diferenças que você cita em sua pergunta (língua e preconceito) são naturais e inerentes ao ser humano. Exemplo, em um país como o Brasil cuja população atinge a cifra de 200 milhões, as diferenças dialetais (nordestino e sulista) geraram o preconceito lingüístico: "acreditam que no sul se fala um português mais correto do que aquele falado no nordeste". E isso acontece quando na realidade o falar não pode ser regulado e avaliado pela gramática. E o desconhecimento dessa verdade é que leva as pessoas ao preconceito.
Bem, o que motivou a instituição da Embaixada Cigana do Brasil - Phralipen Romani não teve a ver com essas diferenças e sim com a tradição. Meu pai, nascido em Saint Marie de la Mer, sul da França. Veio para o Brasil como refugiado da Primeira Guerra Mundial. E mesmo sendo um homem culto era analfabeto (falava quatro línguas e apenas sabia assinar o próprio nome). E digo culto porque, mesmo sendo analfabeto, ele soube transmitir a mim as praticas e os valores de nosso clã - Sinte-Valshtike - e isso é manter a tradição. Portanto, a tradição, aprendida no berço, foi o que motivou a instituição da Embaixada Cigana do Brasil. E como não poderia deixar de ser, o Estatuto da mesma diz que nosso maior objetivo é:  o resgate, a manutenção e a difusão de nossos valores tradicionais. Fato que não nos tem impedido, ainda que sem ajuda do próprio governo brasileiro, a prestar serviços de assistência social aos grupos de Calon que ainda vivem à margem da sociedade e encontram dificuldade em sua integração.

3º) Durante a sessão especial do Senado Federal para comemorar o Dia Nacional da Consciência Negra esteve presente um representante da comunidade cigana em Brasília, na ocasião enfatizou que existem 800 mil acampamentos Cigano no Brasil e que trata-se de "um Brasil invisível", já que esses ciganos não têm direito sequer a uma certidão de nascimento. Considerando a luta de etnias e raças pelos direitos humanos, existe aliança entre os movimentos indígenas, negros e outras etnias ?

Como ficou claro na resposta anterior, a atuação da Embaixada Cigana do Brasil é 90% cultural. Nosso envolvimento na militância política se dá dentro desse contexto. O que posso garantir é que não existe no Brasil estatísticas seguras com relação ao número da população cigana. E isso ocorre pelo fato de que: quando um militante cigano é indagado sobre a quantidade de sua etnia, costuma aumentar o número (pois é óbvio, trata-se de uma estratégia para chamar a atenção para a tal "invisibilidade". Por sua vez, o governo, através do IBGE não realiza um Censo corretamente técnico. E para piorar, tende a diminuir os números, criando a "invisibilidade", para que as devidas ações políticas de integração não sejam cobradas pela baixa demanda. Agora, quanto aos Direitos Ciganos não podemos esquecer que a pessoa denominada, genericamente, de cigano é cidadã  brasileira como qualquer outra (ainda que possua uma etnia diferenciada da população em geral, nasceu aqui e teve até a geração de seus bisavós nascidos aqui).
Em última instância podemos dizer que o cigano brasileiro, e em particular o grupo Calon, é tratado como um cidadão de quinta categoria.  E aqueles que quiserem conhecer os Direitos Ciganos podem acessar este link em nosso website: http://www.embaixadacigana.com.br/direitos_ciganos.htm

4º) Atualmente os ciganos têm representação no Conselho Nacional de Políticas de Igualdade Racial (CNPIR) e na Comissão Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais. No entanto, os dois órgãos são apenas consultivos. Um dos principais problemas enfrentados é a falta de acesso à educação. Há quantos anos existe a Embaixada Cigana no Brasil e quais as conquistas e perspectivas políticas ?

A Embaixada Cigana do Brasil - Phralipen Romani existe há 29 anos. Dos quais, 26 atuando de modo informal e 3 com CNPJ. Nossas maiores conquistas até o momento foram:

- há treze anos ministramos cursos de extensão cultural e pós-graduação sobre a História da Cultura Cigana em universidades paulistas. Sendo este um projeto pioneiro, na América Latina,  nessa área;

- fomos os primeiros ciganos da América Latina a editar livros sobre nossa língua: Palavras Ciganas (vocabulário e gramática Romani-Sinte) lançado em 2009 e Los Hermanos Caló y Calon  (um ensaio sobre esses dialetos do Romani) lançado em 2011 na Espanha durante participação no III Seminário Internacional Rroma;

- conseguimos transpor o preconceito e as divergências existentes entre os clãs, pois, temos membros de origem Sinte, Calderash, Xorarano e Calon. Unidos e trabalhando em prol dos demais;

- conseguimos o reconhecimento internacional, com relação aos projetos que desenvolvemos na área cultural para minimizar o preconceito e a discriminação. Já estivemos desenvolvendo esse projeto Romani Rota na África, Eslováquia, França e Espanha. E o número de países não é maior por conta que realizamos isso sem auxílio governamental, contando apenas com nosso simplório fundo de caixa;

- e recentemente  passamos a ter certo reconhecimento em nosso estado, São Paulo, a partir do convite do SESC para o desenvolvimento do projeto Romani Rota. Cujas apresentações ocorreram em algumas unidades dessa instituição durante o ano de 2011. E terá continuidade em 2012.

Nicolas Ramanush
cigano do clã Sinte-Valshtike
prof. universitário e escritor
presidente da Embaixada Cigana do Brasil - Phralipen Romani
Membro de Honra da Association Santoise de Gitans - França

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Interview to Migrazine

1) whereas there are three major clans Roma representative in Brazil: the Rom (from the former Yugoslavia, Serbia and other Eastern European countries), the Calon (they who came from Spain and Portugal) and Sinti (from Germany Italy and France), what they have in common and differ?

In common (Rom, Calon and Sinte),we have the fact that we call ourselves "gypsies." Although individuals of each of these groups, are refering on  themselfs " I'm the true-gipsy ". So, in this way, they do not recognize individuals of the another group. Example, is very common to hear in a camp of the Calon  that he's the true-gipsy, for one reason or another. And the same is heard from members of other groups with respect to themselves. They denying the identity-gipsy to the other peoples. And this happens because each individual  (Rom, or I Calon), self-identifies themselves as a Gypsy and have recognition within your group. The differences are many and there are by several factors: the differences of the Romani dialects , cultural values ​​acquired by each group in the regions of residence after leaving India, and cultural specifics that each group already had even before they left India . 
Let's review each of these factors, so we can better understand:
- Differences between dialects are so significant that yet we have no a regulation for the Romani. Our language is still considered unwritten (a fact that has been worked since the International Congress held in 1978, when it was decided the need for standardization of the Romani);
- Cultural values ​​acquired in the remaining regions have created serious differences, including religious order: Gypsies who were in Turkey has been converted to Islam on a large scale, those who remained in Greece, to Catholicism and Orthodox Christianity and those who arrived on continent American Protestantism. And, for example, unlike the Jews who profess Judaism, coalition factor, there is no between our groups, one religious system that predominates;
- The cultural specificities that each group had, even in India, were drawn from the system of "caste," whose existence was given by the division and subdivision of the Indian population. As an example I can cite the rite of marriage, funeral and widowhood. Perhaps by atavism, especially among the  Calon, here in Brazil, occur in much the same way as occurred between castes Gypsy of a thousand years ago in India:
- Marriage is endogamous and hired by the parents of young people;
- At the funeral burning  everything that belonged to the deceased;
- Often widows die widows.
Even today in many parts of India, the widow is seen as a burden on the family. And how is surrounded by a lot of prejudice and superstition, they are segregated of the society.

2) Over the years that are lived in Brazil, the Roma have been discriminated even among their clans, and the tongue has been a difference, as the Rom and Sinti speak Romani and Calon speak Shib Kale (fusion Romani with the Spanish and Portuguese). Faced with these differences, which led to the formation of Gypsy Embassy in Brazil and how your organization works ?

 These differences you cite in your question (language and prejudice) are natural and inherent to human beings. For example, in a country like Brazil, whose population reached the figure of 200 million, the dialectal differences (northeastern and southern) produced the linguistic prejudice "in the south they believe that they speaking  more correct than that is spoken in the northeast." And this happens when in reality the speaking cannot be regulated and evaluated by the grammar. And ignorance of this truth is what makes people be prejudiced. Well, what motivated the establishment of the Embaixada Cigana do Brasil Phralipen Romani did not have to do with these differences, but with the tradition. My father, born in Saint Marie de la Mer, southern France. He came to Brazil as a refugee of the First World War.
He was illiterate (spoke four languages ​​and could only sign his own name).
I say that he was cult because, despite being illiterate, he was able to convey to me the practices and values ​​of our clan - Sinte-Valshtike - and this is to keep the tradition. Therefore, the tradition, learned in the cradle, is what motivated the establishment of the Embaixada Cigana do Brasil. And as it should be, the statute says it is our ultimate goal: the recovery, maintenance and dissemination of our traditional values. Fact that we do not have prevented, even without help from Brazilian government, to provide social services to groups of Calon that  still living on the margins of society and find it difficult to integrate themselves.

3) During the special session of the Senate to commemorate the National Day of Black Consciousness was present one representative of the Roma community in Brasilia, on the occasion stressed that there are 800 000 Gypsy camps in Brazil and that it is "Brazil an invisible ", since these gypsies are not entitled to even a birth certificate. Considering the struggle of races and ethnic groups for human rights, there is an alliance between the indigenous movements, black and other ethnic groups?

As made clear in the previous answer, the performance of Gypsy Embassy of Brazil is 90% cultural. Our involvement in political activity takes place within this context. What I can guarantee is that there is no reliable statistics in Brazil on the number of Roma population. And this is the fact that, when a militant Gypsy is asked about the amount of their ethnicity, the number tends to increase (as is obvious, it is a strategy to draw attention to such "invisibility." In turn the government, through the IBGE Census does not perform a correct technique. And to make things worse, tends to decrease the numbers, creating the "invisibility", so that appropriate actions integration policies are not charged by low demand.
Now, as for as  gipsy rights can not forget that the person called, generically, the Gypsy is a Brazilian citizen like any other (although that has a different ethnicity of the population in general, was born here and had has to generate their grandparents that  borned here too).
Ultimately we can say that the gypsies from Brazil, and particularly the group Calon, is treated as a citizen of the fifth category. And those who want to know the Gipsy Rights can access this link on our website: http://www.embaixadacigana.com.br/direitos_ciganos.htm

4) Currently the Gypsies are represented in the National Council for Racial Equality Policies (CNPIR) and the National Commission on Sustainable Development of Traditional Peoples and Communities. However, the two bodies are only advisory. One of the main problems is the lack of access to education. How many years there is the Embaixada Cigana do Brasil and what are conquests and political perspectives?

The Embaixada Cigana do Brasil - Phralipen Romani  existed for 29 years. Of which, 26 acting informal and 3 with legal registration. Our greatest achievements to date were:
- there are thirteen years that I minister of cultural extension courses and postgraduate courses on the History of Gypsy Culture in São Paulo universities. Since this is a pioneering project in Latin America in this area;
- we were the first gypsies Latin American in editing books on our tongue: Palavras Ciganas (Romani vocabulary and grammar Romani-Sinte) launched in 2009 and Los Hermanos y Calo Calon (an essay on these dialects of Romani) launched in 2011 in Spain during our participation in  III International Seminary Rroma.
- we can bridge the differences and prejudices between clans because we have members,  Sinte, Calderash, Xorarano and Calon, origin. All together and working on behalf of others;
- we achieved international recognition with respect to projects that develop in the culture area to minimize bias and discrimination. We've been developing these project called, Romani Rota,  in Africa, Slovakia, France and Spain. And the number of countries is not higher because we do this without government assistance, with only our ordinary cash fund;
- and recently we began to have some recognition in our state, São Paulo, at the invitation of SESC we are developing project the Romani Rota. Whose presentations occurred in some units of the institution during the year 2011. And will continue in 2012.

Nicolas Ramanush
gypsy of the clan Sinte-Valshtike
university professor and writer
president of the Embaixada Cigana do Brasil - Phralipen Romani
member of honor of the Association of Santoise Gitans - France

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Sarah la Kali

A primeira menção histórica a respeito de Sarah la Kali foi encontrada em um texto escrito em 1521, por Vincent Philippon intitulado, A Lenda das Santas-Marias. Suas páginas manuscritas encontram-se agora na biblioteca de Arles. Nesta versão da lenda, Sarah vivia em Camargue, sul da França (sem mais detalhes) entre ciganos do clã Sinte.

De acordo com outra narrativa, Sarah era de nascença uma egípcia e foi para a Palestina como escrava de José de Arimatéia. Este, que no ano 50 d.C empreendeu fuga da perseguição romana aos cristãos, viajando através do mar em uma pequena embarcação acompanhado de Maria Jacobina (irmã de Maria de Nazaré), Maria Salomé(mãe dos apóstolos João e Tiago) e Maria (mãe de Jesus). Eles se depararam com uma tempestade severa e segundo essa versão da lenda, Sarah guiou a todos, por meio da leitura das estrelas, para a costa distante, no sul da França.

Em outra lenda que nós, ciganos Sinte, acreditamos muito mais ...Sarah la Kali foi uma cigana que estava acampada na costa ao sul da França, quando o barco em questão se aproximou. E o contato entre ela e as "marias vindas do mar" se deu da seguinte forma: de acordo com Franz Ville, autor do livro (Tziganes, editado em Bruxelas 1956): " Uma de nossa gente foi quem recebeu a primeira revelação e essa pessoa foi Sarah la Kali. Nascida em uma família cigana, Sarah la Kali foi a pessoa principal de seu clã em Rhone (antigo nome da atual cidade de Saint Marie de La Mer). Ela foi escolhida como sacerdotisa-iniciada nos elementos Terra, Água e Ar e é por esse motivo que se vestia de preto, daí seu nome Sarah la Kali (em Romanês, Kali significa preto). Conhecedora de todos os segredos a ela transmitidos, e diga-se de passagem eram muitos os segredos; pois nós, ciganos, a esse tempo já conhecíamos os fundamentos de várias religiões e dominávamos várias formas de ocultismo. Nessa época uma vez por ano, os ciganos Sinte colocavam em seus ombros a estátua de ISHTAR (a filha da Lua) e entravam no mar para receber suas bençãos ( fato que atualmente ocorre com a imagem de Sarah la Kali). Ainda há registros nas tradições orais em Romani desta parte da lenda:
" um dia Sarah la Kali teve visões que a informaram: as "marias" que estiveram presentes à morte de Jesus viriam para sua região e que ela as ajudaria. Sarah viu-as chegando em um barco. O mar estava bravio e ameaçava afundar a embarcação. Sarah lançou seu lenço nas ondas e, usando o mesmo, caminhou sobre as águas ajudando as "marias" a desembarcarem em segurança.

A bem da verdade Saintes-Maries-de-la- Mer , ou "santas marias do mar ", é uma pequena vila de pescadores localizada no centro-sul da costa do mediterrâneo, França, na região de Camargue de Bouches-du-Rhone. Escavações arqueológicas e lendas locais indicam que a região tem sido venerada como um lugar sagrado por uma sucessão de culturas, incluindo os celtas, romanos, cristãos e, mais recentemente, nós, os ciganos. Uma vez que era o local sagrado da deusa tríplice celta – ligada às águas ( a deusa tríplice é o cerne das religiões pagãs e está presente em diversas culturas). Na cultura celta, há várias deusas que assumem esse papel de deusa tríplice, trazendo em si as três fases da vida: nascimento, crescimento e morte. São representadas por uma mulher que traz em si a adolescente, a mãe e a anciã. O três ou a tríade, antes mesmo de ser usado no Cristianismo, era a base da magia e religião celta, pois se baseava não só nas três fases da vida, mas também nas estações (que no início eram contadas como três – sendo que uma dependia da Terra, outra da Água e a última do Ar ). Em época celta a cidade possuía uma deusa da primavera conhecida pelo nome de Oppidum Priscum Ra. A adoração a deusa tríplice da água foi substituída por templos romanos dedicados a Artemis, Cibele e Ísis. Já em 542 dC, a cidade era conhecida como Saintes-Maries-de-la-Barca, em 1838, recebeu seu nome atual: o de “Saint Maries de la mer”. Fontes históricas mencionam uma igreja do século 9 construída na vila, mas muito pouco se sabe sobre a história da cidade antes do século 14, por causa de sua localização remota. Não se sabe exatamente quando e por que a igreja da vila se tornou o local mais sagrado dos ciganos"manushes" , algum tempo após sua chegada na Europa no início dos anos 1400.

Outros aspectos de Sarah la Kali:
Quando nas lendas aparece a referência de que ela foi escolhida como sacerdotisa iniciada, na realidade isso equivale a dizer: ela era a personificação de uma Shakti. E dentro dos conceitos atávicos que trouxemos do norte da Índia, como personificação de uma Shakti, Sarah la Kali exercia a proteção dos oprimidos e perseguidos e é por isso que alguns clãs ciganos peregrinam rumo ao "santuário" de Sarah la Kali, em Saint Marie de la Mer, na França.

Nicolas Ramanush

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Embaixada Cigana do Brasil tem trabalho reconhecido na Espanha.

Nós da Embaixada Cigana do Brasil - Phralipen Romani temos o orgulho e a honra de dividir com todos os nossos amigos e admiradores um acontecimento muito importante:

A Federación Maranatha de Asociaciones Gitanas, em Valencia, Espanha, reconheceu o trabalho desenvolvido pela Embaixada Cigana e dedicou-nos um Editorial que pode ser conferido neste link http://www.mundogitano.org/

 

Nicolas Ramanush

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Liberdade Religiosa versus Liberdade de Cultura


A Constituição Federal, no artigo 5º, VI, estipula ser inviolável a liberdade de consciência e de crença (...). Desta feita, a Constituição Federal consagra como direito fundamental a liberdade de religião, prescrevendo que o Brasil é um país laico. Com essa afirmação devemos entender que o Estado deve se preocupar em proporcionar a seus cidadãos (incluam-se nós, ciganos) um clima de perfeita compreensão religiosa, proscrevendo a intolerância e o fanatismo.
Bem, primeiramente, não pratico a tolerância, pois, prefiro o respeito.
É certo que não cabe ao Estado laico promover os valores da religião. E quanto a isto, também concordo. Contudo, na pratica dessa tal liberdade religiosa o que se constata é: as pessoas utilizam o direito de crer e o direito de afirmar publicamente aquilo em que se crê, mesmo quando aquilo em que se crê e que se afirma publicamente esteja contrariando e maculando a Cultura alheia. Em outras palavras, o direito à liberdade religiosa (em alguns casos) tem violado drasticamente o direito de liberdade cultural e diversidade que existe em um país como o nosso.
Explicando: uma determinada (entre outras) forma de culto “crê” (?) e afirma publicamente que realiza “batismo cigano”, denominando o mesmo de: Poder da Unção Espiritual do Batismo Cigano , através de um determinado clã espiritual (...). Vejamos alguns trechos do que trata o tal “batismo” : “Os que recebem o batismo cigano a partir de hoje vão começar a agir como cigano” ,”Quem é ungido como cigano, passa a viver como cigano”. Ora, com essas afirmações eles difundem publicamente conceitos errôneos a respeito de nossa cultura, e é claro, colaboram para manter os estereótipos e os preconceitos sobre o que seja ser cigano. Os “batizados” passam, via de regra, a se apresentar publicamente como “ciganos” usando lenço de cetim na cabeça, fitas de cetim amarrada na cintura, camisa de cetim, saia de cetim e “acreditam” (?) que realizando pseudo-slavas-ciganas estão auxiliando na tão frágil e complicada Questão Cigana do Brasil.
Em nome de nossa cultura, cuja palavra cigana é muito genérica para definir tendo à vista as múltiplas especificidades culturais existentes entre nossos clãs (terráqueos), eu clamo publicamente que seja respeitado nosso Direito Cultural. E que os cultos que acreditam nos espíritos desencarnados, também acreditem neste espírito que vos escreve: Respeitem nossa Cultura para serem dignos de nosso respeito.

Nicolas Ramanush

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O Estado de S. Paulo
Papa lamenta morte de crianças ciganas

14/02/2011 - O papa Bento XVI questionou ontem se uma sociedade mais solidária e fraternal evitaria "acontecimentos dolorosos" como o incêndio ocorrido há uma semana num acampamento cigano em Roma, no qual morreram quatro crianças. O fogo foi causado por um fogão a lenha que elas usaram para tentar se aquecer, enquanto seus pais estavam fora. "(Este caso) nos obriga a perguntar se uma sociedade mais solidária e fraternal, mais consistente no amor, ou seja, mais cristã, não poderia ter evitado um acontecimento tão trágico."

E eu, Nicolas Ramanush, questiono o papa Bento XVI: O papa por acaso desconhece que a Igreja Católica, historicamente, foi a primeira a gerar estereótipos a respeito de nosso povo? Pois, saiba: no Concílio de Tarracón, de 1591, a Igreja pediu aos poderes públicos que castigassem os ciganos ? pois, são uns embusteiros, ladrões, vigaristas e viciosos.E saiba mais: no século XVII o teólogo Sancho de Moncada enviou ao rei documento em que solicitava severa repressão aos ciganos, sua deportação do país, e defendia a pena de morte, inclusive para as mulheres e crianças ciganas, ? segundo o padre, "porque não há lei que nos obrigue a criar filhotes de lobos".Portanto, esses "acontecimentos dolorosos", Sr. papa, tem origens históricas dentro da própria Igreja.

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  A MITOMANIA GERANDO ESTEREÓTIPOS CIGANOS

Dois mais dois são quatro. Mesmo que alguém minta para si mesmo chegando ao ponto de acreditar na própria mentira. Esta é uma verdade inabalável: dois mais dois continuarão sendo quatro!
Quando alguém é mitomaniaco pela “cultura cigana” as mentiras dessa pessoa não irão alterar sua realidade. Ela continuará sendo “gazhe”, mas certamente as mentiras irão gerar estereótipos a nosso respeito:

De forma geral, o ponto de partida do preconceito é uma generalização, um estereótipo, do tipo: “ o céu é meu teto “ , “ as estrelas são o meu cobertor’ , “toda cigana usa saia de cetim”, “todo cigano usa lenço na cabeça”, “todos os ciganos gostam de música e alegria” ou mesmo, “ sou cigano(a) de alma” , ou ainda aquelas estórias: “ minha avó ...ou meu avô era cigano mas minha família quer esconder isto”. Se você é desses(as) que acredita na própria mentira , reflita um pouco sobre isto:

Pelas generalizações acima, fica evidente que, pela estereotipia, aqueles que “brincam” de ser ciganos(as) cometem um grande erro. Entretanto, trata-se de um erro que faz parte do domínio da crença, não do conhecimento, ou seja, eles tem uma base irracional e por isso escapam a qualquer questionamento fundamentado no raciocínio. Por exemplo, esse tipo de pessoa “acredita” que fala o Romanês e que isso (caso seu vocabulário não seja internetês) lhe dá a autenticidade cigana, acredita que o ser cigano tenha realmente algo de místico, tipo querem ser Wladmires, Esmeraldas, Carmens entre outros estereótipos realizados pela literatura preconceituosa e sem fundamento na realidade da Romanipen (nossa identidade).

Bem, essas e outras generalizações embasadas na “crença” de uma mentira somente se tornam possíveis porque essas mentiras tem uma razão prática :
São mentiras que servem apenas aos interesses de quem as expressa.
Por exemplo, tem muita gente que diz que é cigano(a) para vender um produto “autenticamente” cigano, um serviço tal como: baralho cigano, tarot cigano etc... ou realizar festas ciganas, que são freqüentadas apenas por não ciganos.

SEJA CAPAZ DE RESPEITAR NOSSA CULTURA E SERÁ DIGNO DE NOSSO RESPEITO!

Nicolas Ramanush

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MITOMANIA CIGANA II

MENTIR PARA SI MESMO É SEMPRE A PIOR MENTIRA.

Se desde a mais tenra idade os pais ensinassem às crianças a não mentir, mas ensinassem com o exemplo, principalmente. Muitas pessoas mitomaniacas já teriam se curado. Exemplo:
- muitos filhos de pais bêbados;
- em casos em que os pais se separaram e ninguém assume a carência afetiva do filho(a).
- em casos nos quais a pessoa é descriminada pela região onde nasceu etc...
A tendência dessa criança e começar a mentir para si mesma que ela não é daquela família ou daquele lugar ou até daquele “povo”. Alguns adotam nomes importados para justificar uma “origem” cigana que culturalmente nunca existiu.
E em virtude dos “estereótipos”ciganos que a Literatura e o Cinema realizaram (alegria, música, vinho, poesia e gente bonita etc) faz com que os mitomaniacos(as) iniciem a busca da autenticidade que não existe. Negando a verdade de suas próprias famílias em busca de afeto na mentira.
Aos que “brincam” de ser cigano(a) devem repensar suas atitudes, pois isso é uma doença: é falsificar-se, vender-se, prostituir-se. Pois a mentira envenena as fontes da vida. “A verdade vos tornará livres” , eis a liberdade pela qual vocês devem lutar. Estar na verdade consigo mesmo significa ser livre. E quem está na verdade consigo mesmo estará também na verdade com os demais.

Nicolas Ramanush


Dia Internacional Cigano
08/04/2010 O Dia Internacional dos Ciganos - Entre o Amor e o Ódio

Quando falamos em preconceito, devemos lembrar que estamos falando a respeito de um comportamento que cria vários problemas para o ser humano. Então, vamos analisar esse comportamento na tentativa de descobrir o que é ou em que consiste o preconceito.
E aí, encontramos uma primeira resposta aceitável: ele se constitui de uma oponião errônea ou até mesmo um conjunto de opiniões que via de regra é ou são aceitas passivamente, sem passar pelo devido crivo do raciocínio, ou seja, da razão (chamo aqui de razão,nossa verdade).
E normalmente o preconceito gera o estereótipo: quando ocorre uma generalização superficial tal como, " todos os ciganos são ladrões ", "ciganos roubam cavalos","ciganos roubam as criancinhas" ou mesmo as do tipo: "ciganos vivem livres, fazendo do céu o seu teto e do chão a cama" etc. Ora, para nós ciganos, tudo isso não passa de um estereótipo! Até porque os preconceituosos que nos amam e que nos odeiam não levam em conta que somos um total de quase 12 milhões no mundo.
E que os mesmos 12 milhões encontram-se divididos em diversos clãs e subclãs, cada qual com uma especificidade cultural atrelada ao país onde vivem. Então, que fique claro que a superficialidade e a estereotipia geram os maiores erros do preconceito. E esse erro está fundamentado em uma crença e não no conhecimento, ou seja ele tem uma base irracional e por isso escapa a qualquer questionamento fundamentado na razão. Daí a dificuldade de combatê-lo. Muitos nos odeiam e desprezam, mesmo sem nos conhecer, generalizando e alimentando o estereótipo de que não prestamos etc.
Outros nos amam e nos imitam, mesmo sem nos conhecer, também generalizando e alimentando outro estereótipo de que somos seres livres, romãnticos etc. Eis a dificuldade em combater o preconceito: como não podemos corrigí-lo pela razão temos que lutar contra as crenças que são difundidas entre aqueles que não nos conhecem mas que falam por nós. Aqueles que acreditam na veracidade de uma opinião falsa, na realidade fazem isso em virtude de seus desejos, de suas paixões, de seus medos etc; e nunca, embasados na razão, ou seja, na verdade do outro.
Então, você deve estar se perguntando: como acabar com esses preconceitos? O preconceito nasce na cabeça do homem. E é por isso que devemos combatê-lo com a Razão, isto é, com o desenvolvimento da consciência e da Educação. Vamos chamar aos nossos irmãos brasileiros para a Consciência e Educação do que somos: para vivermos livres de preconceitos, precisamos ter a nossa consciência livre.
Aos não-ciganos que querem ser ciganos, eu digo: fiquem com a palavra cigano! Eu continuo sendo o Rrom.


Nicolas Ramanush

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Katar avas ame?
Pensamos muito...muito...muito
Lembramos muito, muito, muito pouco
Será que sentimos e compreendemos o suficiente?
Necessitamos muito mais de VERDADE que de Ciência
E muito mais de JUSTIÇA e AMOR que da LEI.
E prova disso, é que o mundo altamente tecnológico e cientificista em que vivemos tem ocultado de nós seres humanos a VERDADE do SENTIMENTO e da COMPREEENÇÃO de nossos valores humanos.
E a LEI que foi escrita sem VERDADE, JUSTIÇA e AMOR torna nossa sociedade apenas mais violenta.
Tendo o meu pensamento acima como base, vale pensar mais um pouco: segundo o texto que segue (retirado do G1 Edição de São Paulo): o juiz da Vara da Infância e Juventude de Jundiaí, a 58 km de São Paulo, vai decidir se a cigana que teve sua filha de 1 ano retirada à força por determinação da Justiça tem condições de criar a menina. A decisão de levar a criança para um abrigo foi tomada depois de uma denúncia anônima. A mãe usaria a criança para pedir esmolas no Centro da cidade. O desespero da mãe e da criança foi registrado em vídeo. As imagens mostram a menina sendo puxada por uma guarda dentro da delegacia, que a levou no banco da frente de um carro da prefeitura até um abrigo.
Depois de algum tempo pensando nesses fatos, liguei para alguns ciganos Calons de São Paulo e das circunvizinhanças de Jundiaí, perguntando: " se eles haviam tomado conhecimento do fato e se a Dervana Dias era realmente uma cigana Calin? " A maioria entre eles desconhecia o fato, e aqueles que haviam visto pela TV não conheciam a moça em questão. E isso me fez pensar em mais uma coisa: cigana ou não, o fato em si da menina sendo retirada a força dos braços da mãe - e tudo televisionado - bastava-me como a maior prova de que estamos vivendo em uma sociedade que ultrapassou todos os limites de violência. E como isso ocorreu envolvendo ciganos (meus irmãos de íngua, cultura, alma e nacionalidade, pois somos brasileiros), fez-me lembrar de um outro fato ocorrido na mesma Jundiaí: Em setembro de 1997 as crianças ciganas Deliara e Michael foram apreendidos sob a alegação de que estavam abandonados, expostas a maus tratos e situação vexatória. Em novembro 1997, a promotora pediu a quebra do pátrio poder dos pais de ambos, que, por serem ciganos, não tinham endereço fixo. Em 24 de fevereiro de 1998, o juiz julgou procedente o pedido da promotora, apesar de a avó das crianças, Iracema Alves, ter residencia fixa e insistir em ficar com a guarda dos netos. O inquérito criminal para investigar os tais maus-tratos acabou arquivado. "Conforme apurado, não houve qualquer comprovação de que as crianças fossem submetidas a maus-tratos", escreveu o promotor João de Deus, 18 dias antes da decisão do juiz.
Michael foi devolvido à família, pois não teria se adaptado à instituição em que estava internado. Deliara engrossa a lista das 204 crianças que o juiz encaminhou para a adoção internacional. Ela está na Itália.
Cabe aqui mais uma lembrança: Deliara foi para a Itália em 26 de fevereiro de 1998, apenas dois dias depois da decisão do juíz. "Como é que em 48 horas o juiz conseguiu realizar todos os ritos que exige a adoção internacional?", uso a mesma pergunta que o deputado Renato Simões, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa de São Paulo fez á epoca dos fatos.
E já que pensamos...vamos lembrar mais um fato importante: Em maio do ano seguinte ao fatos relatados acima, a Revista ISTOÉ INDEPENDENTE, edição 1546, revelou a existência das Mães da Praça do Fórum de Jundiaí, no interior de São Paulo. Em novembro a revista reuniu documentos que comprovam as denúncias de muitas das mães de Jundiaí e publicou reportagem de capa mostrando como a cidade se transformou em um dos maiores pólos de exportação de crianças do País.
Bem, depois de ter pensado, sentido e compreendido o suficiente resolvi em nome da VERDADE clamar pela JUSTIÇA: telefonei para a Drª Lena Peres, Diretora de Promoção de Direitos Humanos da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República na finalidade de obter apoio de sua Secretaria em cujo momento fui informado que imediatamente essa Secretaria em conjunto com a Secretaria da Identidade e Diversidade Cultural tomariam as medidas cabíveis.
E assim, o final será feliz!

A violência amparada pela LEI e justificada pela JUSTIÇA está destruindo justamente aquilo que a LEI e a JUSTIÇA deveriam defender: A liberdade do ser humano.


Nicolas Ramanush

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