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Cronologia baseada em documentos sobre Ciganos no Mundo

Cultura Cigana

Música Cigana

Entendendo a diferença entre casta e classe social

Entendendo a diferença entre os clãs ciganos

 

Cronologia baseada em documentos sobre Ciganos no Mundo

ANO:
LOCAL:
FATOS:
224
Pérsia:
No reinado do Shah Ardashir, ciganos chegam da Índia para trabalhar.
420 Pérsia: Bahram Gur, Shah da Persia, importa ciganos músicos da Índia
661 Império Árabe: Ciganos chamados de zott são levados da Índia para a Mesopotâmia.
669 Império Árabe: O Califa Muawiya deporta ciganos de Basra para Antioquia na costa do mediterrâneo
710 Império Árabe: O Califa Walid reinstala os ciganos Zott da Mesopotâmia para a Antioquia
720 Império Árabe: O Califa Yazid II envia mais ciganos Zott para a Antioquia
820 Império Árabe:

Estabelecimento do Estado Independente de ciganos Zott na Mesopotâmia.

834 Império Árabe: Os ciganos Zott derrotados pelos árabes e muitos deles reassentados na cidade que faz fronteira com Ainzarba.
855 Império Árabe: Batalha de Ainzarba. Os gregos derrotam os árabes e levam os ciganos Zott e familiares
como prisioneiros do Império Bizantino
1050 Império Bizantino: Acrobatas e veterinários (práticos) são chamados de athigani em Constantinopla
1192 Índia: Batalha de Terain. Os últimos ciganos partem para o Oeste.
1290 Grécia: Ciganos sapateiros aparecem no Mount Athos.
1322 Creta: Relatos da presença de ciganos na ilha.
1347 Império Bizantino: A Peste Negra chega a Constantinopla. Ciganos se movem para o Oeste novamente.
1348 Sérvia: Relatos da presença de ciganos em Prizren.
1362 Croácia: Relatos da presença de ciganos em Dubrovnik.
1373 Corfu: Relatos da presença de ciganos na ilha
1378 Bulgária: Ciganos vivendo em vilas próximo do Mosteiro de Rila
1384 Grécia: Relatos da presença de ciganos sapateiros em Modon.
1385 Romênia: Primeiro registro da transação de escravos ciganos
1399 Bohêmia: Os primeiros ciganos mencionados em uma crônica.
1407 Alemanha: Ciganos visitam Hildesheim.
1416 Alemanha: Ciganos expulsos da região de Meissen
1417 Império Romano: O rei Sigismund concede salvo-conduto para que os ciganos possam ir até Lindau.
1418 França: Relatos de presença dos primeiros ciganos em Colmar.
1418 Suíça: Chegada dos primeiros ciganos
1419 Bélgica: Relatos da presença dos primeiros ciganos em Antuérpia
1420 Holanda: Relatos da presença dos primeiros ciganos em Deventer.
1422 Itália: Ciganos chegam a Bolonha.
1423 Itália: Andrew, Duque do pequeno-Egito, e seus seguidores partem para visitar o Papa Martin V em Roma.
1423 Eslováquia: Relatos da presença dos primeiros ciganos em Spissky.
1425 Espanha: Relatos da presença de ciganos em Zaragoza.
1447 Catalunha: Relatos da presença dos primeiros ciganos.
1453 Império Bizantino: Os turcos capturam Constantinopla. Alguns ciganos fogem para o Oeste.
1453 Eslovênia: É relatada a presença de um cigano ferreiro no país.
1468 Chipre: Relato da presença dos primeiros ciganos.
1471 Suíça: Parlamento reunido em Lucema expulsa ciganos.
1472 Romênia: O Duque Friedrich pede a seu povo para ajudar os ciganos peregrinos.
1485 Sicília: Relato dos primeiros ciganos.
1489 Hungria: Músicos ciganos tocam na Ilha de Czepel
1492 Espanha: Primeiro esboço da Lei elaborada em 1499.
1493 Itália: Ciganos são expulsos de Milão.
1498 Alemanha : Sacro Império Romano ordena a expulsão de ciganos.
1499 Espanha: Ordenada a expulsão de ciganos pela Pragmática de Reis Católicos.
1500 Rússia: Relato da presença dos primeiros ciganos.
1504 França: Ordenada a expulsão de ciganos.
1505 Dinamarca: Dois grupos de ciganos peregrinos entram no país, provavelmente originários da Espanha.
1510 Suíça: Pena de morte introduzida para ciganos encontrados no país.
1512 Catalunha: Expulsão de ciganos. Suécia: Chegada dos primeiros ciganos.
1514 Inglaterra: Mencionada a presença dos primeiros ciganos no país.
1515 Alemanha: Bavária fecha suas fronteiras para os ciganos.
1516 Portugal: Ciganos são mencionados na Literatura.
1525 Portugal: Ciganos são banidos do país. Suécia: Ciganos são ordenados a deixarem o país.
1526 Holanda: Proibido o transito de ciganos em todo o país.
1530 Inglaterra e Gales: Ordenam a expulsão dos ciganos.
1534 Eslováquia: Ciganos são executados em Levoca.
1536 Dinamarca: Ciganos são ordenados a deixarem o país.
1538 Portugal: Começa a deportação de ciganos para as Colônias.
1539 Espanha: Envio de homens ciganos para trabalho forçado nas galeras.
1540 Escócia: Ciganos tem permissão para viverem de acordo com suas próprias leis.
1541 República Tcheca: Ciganos são acusados de tocarem fogo em Praga.
1544 Inglaterra: Ciganos são deportados para Noruega.
1547 Inglaterra: Andrew Boorde publica livro sobre clãs ciganos.
1549 Bohemia: Ciganos são declarados ilegais e expulsos.
1553 Estônia: Os primeiros ciganos aparecem no país.
1554 Inglaterra: A pena de morte é aplicada a qualquer cigano que não deixe o país em um mês.
1557 Polônia e Lituânia: Ordenada a expulsão de ciganos.
1559 Finlândia: Ciganos aparecem na ilha de Åland.
1562 Inglaterra: Estende a pena de morte àqueles que vivem ou viajam como os ciganos.
1563 Itália: O Concílio de Trento afirma que ciganos não podem ser padres.
1573 Escócia: Declara que ou os ciganos se tornam fixos ou deixam o país.
1574 Império Otomano: Ciganos trabalham como mineiros na Bósnia.
1574 Portugal: Portugal Deporta ciganos para Brasil e Angola.
1579 Portugal: Proíbe o uso de roupas ciganas.
1580 Finlândia: Relato de ciganos no continente.
1584 Dinamarca e Noruega: Ordenada a expulsão de ciganos.
1586 Bielorússia: Expulsão de ciganos nomades.
1589 Dinamarca : Pena de morte decretada para ciganos que não deixarem o país.
1595 Romênia: Stefan Razvan, filho de um escravo cigano, tornasse regente na Moldávia.
1611 Escócia: Três ciganos são enforcados sob a Lei de 1554.
1633 Espanha: Pragmática de Felipe IV entra em vigor e ciganos são expulsos.
1637 Suécia: Introduzida pena de morte para ciganos que não deixarem o país.
1692 Áustria: Relato de ciganos em Villach.
1714 Escócia: Duas ciganas são executadas.
1715 Escócia: Dez ciganos deportados para a Virginia.
1728 Holanda: Aberta caçada aos ciganos (qualquer pessoa tem o direito de matar ciganos).
1746 Espanha: Ciganos são obrigados a viverem em guetos.
1748 Suécia: Expulsão de ciganos.
1749 Espanha: Ordenada a perseguição e prisão de todos os ciganos.
1758 Portugal: Impede que os ciganos do Brasil falem sua própria língua.
1758 Imp. Áustro-Húngaro: Maria Theresa começa o programa de assimilação de ciganos.
1759 Rússia: Ciganos banidos de São Petersburgo.
1765 Austro-Húngaro: Joseph II continua o programa de assimilação.
1776 Áustria: Primeiro artigo publicado sobre a origem indiana da língua Romani.
1782 Hungria: Dois ciganos enforcados sob acusação de canibalismo.
1783 Rússia: Política de Estabelecimento contra o nomadismo. Espanha : a língua e vestimenta ciganas são proibidas. Reino Unido: revogada a maioria da legislação contra os ciganos.
1791 Polônia : Introduzida a Lei de Estabelecimento contra o nomadismo.
1802 França: Ciganos na província Basca são cercados e aprisionados.
1812 Finlândia : Lei confina ciganos em asilos.
1822 Reino Unido: Com a Turnpike Act os ciganos foram obrigados a pagar pedágio.
1830 Alemanha: Autoridades em Nordhausen retiram as crianças ciganas de suas famílias e promovem a adoção em famílias não ciganas.
1835 Dinamarca: Decretada a caça aos viajantes em Jutland. Reino Unido: a Lei Highways Act reforça a cobrança de pedágio para ciganos de 1822 da Lei Turnpike Act.
1837 Espanha: George Borrow traduz O Evangelho de São Lucas para o Romani.
1848 Transilvânia: Serfs ( escravos da região) e escravos ciganos são emancipados.
1849 Dinamarca: A presença de ciganos é permitida.
1855 Romênia: Ciganos que eram escravos na Moldávia são emancipados.
1856 Romênia: Ciganos que eram escravos na Valáquia são emancipados.
1860 Suécia: Restrições para imigração de ciganos são facilitadas.
1865 Escócia: Introduzida Lei de Transgressão para ciganos.
1868 Holanda: Relatada nova imigração de ciganos.
1872 Bélgica: Ciganos são expulsos.
1874 Império Otomano: Ciganos mulçumanos recebem os mesmos direitos que os mulçumanos em geral ( esses ciganos são chamados de Xoraxanê).
1875 Dinamarca: Mais uma vez ciganos são barrados no país.
1876 Bulgária: Os moradores massacram ciganos mulçumanos em Koprivshtitsa.
1879 Hungria: Conferência Nacional dos Ciganos realizada em Kisfalu. Sérvia: o nomadismo é banido.
1886 Bulgária: O nomadismo é banido. Alemanha: Bismarck ordena expulsão de ciganos.
1888 Reino Unido: Fundada a Gypsy Lore Society.
1899 Alemanha: Estabelecida a Polícia de Informação Cigana em Munique por Alfred Dillmann.
1904 Alemanha: Parlamento Prussiano por unanimidade adota uma proposta de regular a circulação e o trabalho de ciganos.
1905 Bulgária: Realizada Conferência em Sofia, pedindo o direito de voto para ciganos. Alemanha: Um Censo de todos os ciganos é realizado na Bavária.
1906 Finlândia: Estabelecida uma Missão para os ciganos. França: Introdução da carteira de identidade para nômades. Alemanha: Ministro prussiano introduz questões especiais para o combate ao incômodo cigano.
1914 Noruega: A cerca de trinta ciganos é concedida a nacionalidade de norueguês. Suécia: Lei de Deportação também dificulta nova onda de imigração cigana.
1918 Holanda: Lei introduz controle às caravanas e vans de ciganos.
1919 Bulgária: Fundada a Organização Istiqbal.
1922 Alemanha: Em Baden, todos os ciganos são fotografados e têm suas impressões digitais colhidas.
1923 Bulgária: A Organização Istiqbal inicia a publicação de um jornal.
1924 Eslováquia: Um grupo de ciganos é julgado por canibalismo e julgados inocentes.
1925 USSR: Estabelecimento da União Pan-Russa de Ciganos.
1926 Alemanha: O Parlamento Bavariano cria uma nova Lei para combater o nomadismo cigano.
1926 Suíça: O Pro Juventude inicia uma campanha de remoção forçada de crianças ciganas de suas famílias para adoção por estrangeiros
1926 USSR: Primeiros movimentos para estabelecimento de ciganos nômades.
1927 Alemanha: Legislação requer que ciganos sejam fotografados e tenham impressões digitais colhidas. Bavaria decreta leis proibindo de realizarem viagens em grandes grupos e de possuir armas de fogo. Noruéga: A Lei Aliens impede ciganos no país.
1927 USSR: Journal Romani Zorya (Romany Dawn) inicia suas publicações.
1928 Alemanha: O nomadismo cigano na Alemanha é colocado sob constante vigilância da polícia.
Hans F. Günther escreve matéria afirmando que foram os ciganos os responsáveis pela introdução do sangue estrangeiro na Europa.
1928 Eslováquia: Massacre de ciganos em Pobedim.
1929 USSR: Nikolai Pankov edita o livro Romani Buti i Dz?inaiben (Trabalho e Conhecimento).
1930 Noruega: Um médico recomenda que todos os ciganos e viajantes sejam esterelizados.
1930 USSR: Aparece a primeira Edição do jornal Nevo Drom [Novo Caminho].
1931 USSR: O Teatro Romen é inaugurado em Moscou.
1933 Áustria: O governo em Burgerland declarou a retirada de todos os direitos civis dos ciganos.
1933 Bulgária: Jornal Terbie [Educação] inicia a publicação Alemanha: O Partido do Nacional Socialismo chega ao poder e medidas contra os ciganos são iniciadas.
Músicos ciganos foram impedidos pela Câmara de Cultura do Estado de exercer seus trabalhos. O cigano Sinte, boxeador Johann Trollmann foi despojado de seu titulo de campeão meio-pesado pelo fato de ser cigano.Adotada Lei de Prevenção da Hereditariedade. Também conhecida como Lei da Esterelização. Durante a “Semana
dos Mendigos” muitos ciganos foram presos. Letônia: Evangelho de São João traduzido para Romani. Romênia: Associação Geral dos ciganos da Romênia realiza a Conferência Nacional. Revistas Neamul Tiganesc [Gypsy Nação] e Timpul [Time] iniciam suas publicações.
1933 URSS: Teatro Romen executa a ópera Carmen.
1934 Alemanha: Ciganos que não podiam provar nacionalidade alemã são expulsos.
1934 Romênia:
Realizado o Congresso Internacional Cigano de Bucareste.
1935 Alemanha:
Casamentos entre ciganos e alemães são proibidos.
1935 Iugoslávia: Jornal Romano Lil inicia suas publicações.
1936 Alemanha: O direito de voto é retirado dos ciganos. Junho-Aberto Campo de Concentração em Marzahn. Instituído decreto Geral de Combate ao cigano como ameaça.
1937 Polônia: Janusz Kwiek eleito rei dos ciganos.
1938 Alemanha: Abril—Decreto sobre a luta preventiva contra o crime: Crime: Todos os ciganos são classificados como anti-sociais. Muitos ciganos são presos a enviados para trabalhos forçados em campos de concentração. Junho—Segunda onda de prisões com intuito de fornecer trabalho para construir os campos de concentração. —O Centro de Higiene Racial começa a criar um arquivo de clãs ciganos. Outubro—Estabelecido o Centro Nacional contra a Ameaça Cigana. Dezembro – Decretada A Luta Contra a Ameaça Cigana.
1938 USSR: O governo determina a proibição da língua e cultura Romani.
1939 Alemanha: Setembro—Deportação de 30.000 ciganos. Outubro—Decreto Estabelece: Ciganos não podem viajar. Novembro—Ciganos ricos são despojados de seus bens e enviados ao Campo de Concentração de Ravensbrück. Alemanha ocupa a República Tcheca: e o nomadismo cigano é proibido.
1939 Polônia: Carteiras de Identidades Especiais são obrigatórias aos ciganos.
1940 Áustria: Agosto—Internamento de ciganos no campo de concentração Salzburg. Outubro— Ordenado o internamento de ciganos no Campo de Concentração de Burgenland.
Novembro—Internamento de ciganos no campo de concentração de Lackenbach.
República Tcheca: Agosto—trabalho de ciganos em campo de concentação de Lety e Hodonín. França: Abril—governo abre campo de concentração para nômades.
1940 Alemanha: Heinrich Himmler ordena o reassentamento de ciganos na Polônia ocidental.
1941 Estados Bálticos: Dezembro—O governador Hinrich Lohse ordena que os ciganos sejam tratados como os Judeus.
1941 Croácia: O Campo de Concentração de Jasenovac é aberto.
1941 República
Tcheca:
Outubro—Decisão de que os ciganos do protetorado sejam enviados a campos de concentração.
1941 Alemanha: Março—Inícia-se a exclusão das escolas de crianças ciganas. Julho—Reinhard Heydrich e Heinrich Himmler criam lei para que os ciganos entrem no plano de solução final tal qual o problema dos judeus.
1941 Letônia: Dezembro—Cento e um ciganos são executados em Libau.
1941 Polônia: Outubro— Um
campo cigano e estabelecido no gueto judeu de Lodz para cinco mil reclusos.
1941 Sérvia: Maio—O Estado do Comando Militar alemão determina que os ciganos devem ser tratados como os judeus. Novembro—O comando militar alemão determina a prisão de todos os ciganos e judeus, para serem usados como reféns.
1941 Eslováquia: Abril –
decretada a separação dos ciganos da maioria da população.
1941 USSR: Junho—Task Forces são utilizadas para matar sistematicamente judeus e ciganos. Dezembro—Task Force mata 824 ciganos em Simferopol.
1941 Iugoslávia: Outubro—exército alemão mata 2.100 ciganos em represália ao soldados mortos por guerrilheiros.
1942 Bulgária: Agosto—6,500 ciganos são fichados pela polícia em um único dia.
1942 Croácia: Maio— O governo determina a prisão de todos os ciganos e a deportação deles para extermínio no campo de concentração em Jasenovac.
1942 Alemanha: Março—Um imposto de renda adicional é cobrado dos ciganos. Julho—Um decreto do Estado Maior das Forças
armadas decide que os ciganos devem cumprir o serviço militar. Himmler decide deportar os ciganos da grande Alemanha para o campo de concentração de Auschwitz- Birkenau.
1942 Polônia: Janeiro—Todos os Sinti e Roms do gueto de Lodz são transportados e mortos na câmara de gás em Chelmno. Abril— Ciganos são trazidos para o gueto de Varsóvia e mantidos na prisão em Gesia. Maio—Todos os ciganos no distrito de
Varsóvia são internados em guetos judeus. Julho— Várias centenas de ciganos polacos são mortos no campo de extermínio de Treblinka.
1942 Romênia: Cerca de 20.000 ciganos são deportados para Transnistria.
1942 Sérvia: Agosto- Agosto— Harald Turner, chefe da administração militar alemã, anuncia que "a questão cigana foi totalmente
resolvido."
1943 Polônia: Janeiro—Ciganos do gueto de Varsóvia são transferidos para o campo de extermínio Treblinka. Fevereiro— Primeiros transporte de ciganos Sinti e Roms da Alemanha são entregues ao novo Comando de Ciganos em Auschwitz-Birkenau.
Março— Em Auschwitz, a Schutzstaffel (Storm Troopers) (SS) executou na câmara de gás cerca de 1.700 ciganos entre homens, mulheres e crianças. Maio—Mais 1,030 ciganos entre homens, mulheres e crianças são executados nas câmaras de gás pela SS em Auschwitz por ordem de Josef Mengele. Julho—Himmler visita o Comando de
Ciganos em Auschwitz e ordena que os ciganos sejam mortos.
1944 Bélgica: Janeiro—É realizado o transporte de 351 ciganos Roms e Sinti da Bélgica para Auschwitz.
1944 Holanda: Maio—Mais 245 Roms e Sintis são enviados para Auschwitz.
1944 Polônia: 2 de agosto—1,400 são enviados de Auschwitz para o campo de concentração em Buchenwald. E os restantes 2,900 são mortos nas câmaras de gás.
1944 Eslováquia: Ciganos se juntam aos guerrilheiros no chamado Levante Nacional.
1946 França: Mateo Maximoff publica seu primeiro romance em Romani -Ursitory.
1946 Polônia: Roma Ensemble é fundada.
1947 Bulgária: Teatro Cigano se estabelece em Sofia.
1951 Bulgária: Teatro Cigano é fechado em Sofia.
1952 França: Inicia-se o movimento Pentecostal entre os Sinti-Gacgekane (alemães).
1953 Dinamarca: Ciganos são readmitidos no país.
1958 Bulgária: O nomadismo é banido.
1958 Checoeslováquia: O nomadismo é banido.
1958 Hungria: Organização Nacional de Ciganos é fundada.
1960 Inglaterra e Gales: Criam leis impedindo o Caravanismo.
1960 França: Communauté Mondiale Gitane é fundada.
1962 Alemanha: Tribunais determinam que os ciganos foram perseguidos por razões raciais.
1962 Noruega: Comitê Governamental Cigano é criado.
1963 Irlanda: É publicado Relatório da Comissão sobre itinerância cigana.
1963 Itália: Criado o regime de ensino Opera Nomadi.
1964 Irlanda: Grupo de Ação Itinerante é criado.
1965 França: Communauté Mondiale Gitane é banida e o Comité International Tzigane é estabelecido.
1966 Reino Unido: Gypsy Council é instituido.
1967 Finlandia : National Gypsy Association é fundada.
1968 Inglaterra e Gales: É instituído um Conselho para determinação de lugares onde as caravanas podem ficar.
1968 Holanda: Todos os distritos devem possuir espaços para caravanas.
1969 Bulgária: São criadas escolas segregadas para ciganos.
1970 Reino Unido: National Gypsy Education Council fundada.
1971 Reino Unido: First World Romany Congress nas proximidades de Londres.
1972 Checoeslováquia: Inicia o programa de esterilização de ciganos.
1972 França: Uma Banda conhecida como Los Reyes (atual Gypsy Kings) foi fundada.
1972 Iugoslávia, Macedônia: A Radio broadcasts em Romani começa a transmitir de Tetovo.
1975 Europa: O Comitê do Conselho Europeu adota uma resolução positiva a respeito do nomadismo dos ciganos.
1975 Hungria: Aparecem as primeiras publicações da revista Rom som (eu sou cigano).
1975 Nações Unidas: Subcomissão aprova resolução sobre a proteção dos Ciganos.
1978 Suíça: Segundo World Romany Congress ocorre em Genebra.
1979 Hungria: National Gypsy Council é formado.
1979 Noruéga: Cartilhas em Romani são produzidas para o ensino da língua materna às crianças ciganas.
1979 Nações Unidas: International Romani Union é reconhecida por suas ações sociais e econômicas.
1980 Iugoslávia: Uma proposta de gramática em Romani é publicada em Skopje.
1981 Alemanha: Terceiro World Romany Congress em Göttingen.
1981 Iugoslávia: Estatuto Nacional decide que ciganos estão em pé de igualdade com outras minorias.
1982 França: O novo governo François Mitterrand promete ajudar aos nômades.
1984 Europa: Parlamento Europeu aprova resolução de ajuda aos ciganos.
1984 Índia: Festival Chandigarh.
1985 França: Primeira exibição mundial de Arte Cigana ocorre em Paris. Suécia: uma família de ciganos é atacada em Kumla com pedras e bombas caseiras.
1986 França: Conferência International Gypsy ocorre em Paris.
1986 Espanha: Casas ciganas são incendiadas em Martos.
1986 Iugoslávia, Saraievo: Ocorreu o Seminário International Romany.
1988 Hungria: É fundada a Organization Phralipe.
1989 Europa: Resolução do Conselho Europeu sobre a promoção da escola para as crianças ciganas e viajantes.
1989 Alemanha: Governo inicia deportação de milhares de ciganos do país.
1989 Hungria: Parlamento Cigano é estabelecido.
1989 Polônia: Ocorre o primeiro Romane Divesa
Festival.
1989 Romênia: Os guardas das fronteiras cobram pedágio de ciganos.
1989 Espanha: Casas ciganas são atacadas em Andaluzia.
1990 Polônia: Exibição permanente de Artes Ciganas é aberta em Tarnow. Quarto World Romany Congress ocorre próximo à Varsóvia; um alfabeto básico em Romani é adotado pelo Congresso. O jornal Rrom p-o Drom [Ciganos na estrada] inicia suas publicações.
1990 Romênia: Mineiros atacam ciganos nos bairros em Bucareste.
1991 República Tcheca: Inicia-se o ensino de cultura cigana na Universidade.
1991 Macedônia: Ciganos tem igualdade de direitos na nova república.
1991 Polônia: Massacre de ciganos em Mlawa.
1991 Eslováquia: Governo dá nacionalidade e direito de igualdade aos ciganos.
1991 Ukraine: Polícia ataca acampamento cigano em Velikie Beryezni.
1992 Eslováquia: Teatro Romathan é fundado em Kosice.
1992 Nações Unidas: Comissão de Direitos Humanos cria resolução que reconhece os ciganos como minoria étnica.
1993 República checa: O cigano Tibor Danihel morre afogado ao tentar fugir da gangue de skinheads. Sete
romenos deportados de Usti nad Labem para Eslováquia.
1993 Alemanha: Primeira Conferência Internacional sobre a Lingüística Romani em Hamburg.
1993 Hungria: Ciganos são reconhecidos como minoria nacional.
1993 Macedônia: A língua Romani é oficialmente introduzida nas escolas.
1993 Eslováquia: Cyril Dunka um jovem cigano é espancado pela polícia depois de um incidente no estacionamento.
1993 Reino Unido: Scottish Gypsy/Traveller Association é fundada.
1993 Nações Unidas: União Romani elevada à categoria II consultivo.
1994 França: Formada a Conferência Permanente das Associações Ciganas em Strasbourg.
1994 Reino Unido: Ato da Justiça criminaliza o nomadismo.
1995 Áustria: Quatro ciganos são mortos a bomba em Oberwart, Burgenland.
1995 República Tcheca: Tibor Berki morto por skinheads em Zdár nad Sázavou.
1995 Hungria: Realiza a Segunda Exibição Internacional Mundial de Arte Cigana.
International Romani Union organiza em “Saraievo” Conferencia da Paz em Budapest.
1995 Eslováquia: Mario Goral é queimado e morto skinheads em Ziar nad Hronom.
1996 Albânia: Fatmir Haxhiu morre de queimaduras depois de ataque racista.
1996 Bulgária: Kuncho Anguelov e Kiril Perkov ciganos da região, desertores do exército são baleados e mortos pela polícia militar. República Tcheca: Crianças ciganas são expulsas de piscina pública em Kladno.
1996 Europa: A Corte Européia de Direitos Humanos rejeita apelação do Sr.Buckland contra a recusa de autorização de construção na Inglaterra de local para estacionar as caravanas ciganas.
1997 França: Março—Jose Ménager e Manolito Meuche ciganos manushes são mortos a tiros pela polícia de Nantes.
1998 República Tcheca: 4–6 September— International Romany cultural festival RESPECT realizado em Praga.
1998 Reino Unido: 16 Maio—Festival de Música em Londres com a participação de ciganos tchecos e poloneses. Dezembro—International Romani Union delegação, liderada por Rajko Djuric´, participou da Conferência do Nazismo em Washington.
1998 France: Loi Besson encorajou a provisão de locais para caravanas ciganas.
1999 República Tcheca: Inicio do Festival Internacional de khamoro com o objetivo de mostrar a riqueza da cultura cigana e tradições que fazem parte da cultura checa e da européia e mundial.
Contribuir para a integração dos ciganos na sociedade checa e a criação de uma sociedade multicultural.
2000 República Tcheca: Julho—Quinto World Romany Congress ocorreu em Praga.
2000 Vaticano: Março— Papa João Paulo II pede perdão pelos maus tratos aos ciganos realizados por católicos.
2001 Alemanha: Novembro— Escritores ciganos se reúnem em Cologne e decidem fundar uma associação internacional.
2001 Índia: Abril—Líderes da International Romani Union leaders visitam o Romano Kher (Casa de Nehru e ao pé da letra Casa Cigana) em Chandigarh.
2001 Itália: Novembro—. Duas centenas de membros do Conselho Nacional de marcham para protestar contra a habitação de ciganos na cidade.
2002 Croácia: Setembro— Uma centena de pais croatas evitam a entrada de crianças ciganas na escola da aldeia de Drzimurec-Strelec.
2002 Julho: International Romani Writers Association Fundada em Helsinki.
2002 Hungria: Junho- um cigano, Laszlo Teleki— apontado como o Secretário de Estado Cigano.
2005 Alemanha: 12 Setembro— Conferência Internacional de Anticiganismo ocorreu em Hamburg.
2005 Rússia: Janeiro—Quatrocentos ciganos deixam a cidade de Iskitim depois de uma massacre.
2006 Brasil: Instituído o Dia Nacional do Cigano A data foi instituída por um decreto assinado pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 25 de maio de 2006, tendo sido comemorada pela primeira vez em 24 de maio de 2007, pela SEPPIR em parceria com o Ministério da Cultura.
2008 Eslováquia: Associação Cívica de Produção Roma foi fundada em 2004 em Trebišov. Durante esse período, reafirmou-se como uma organização sem fins lucrativos forte. Ela organiza os principais eventos culturais a nível nacional e internacional e desde 2008 realiza o International Gypsy Fest em Trebisov.
2009 Brasil: O casal de ciganos Nicolas e Ingrid Ramanush fundam a Embaixada Cigana do Brasil – Phralipen Romani que é uma Sociedade Civil, sem fins lucrativos, de caráter social, cultural e assistencial, que objetiva diminuir as diferenças através da cultura. Somos pessoas imbuídas de um mesmo ideal: resgatar, fomentar e preservar a cultura cigana (que é nossa própria identidade) e auxiliar os membros de clãs que ainda encontram obstáculos de acessibilidade à cidadania (documentos de identificação civil), à saúde pública e ao ensino. Além disso, existem as dificuldades relativas à inclusão cultural e à preservação das tradições e do patrimônio cultural que também
fazem parte de nossa meta no sentido de: Defender, recuperar e valorizar a história e as tradições étnicas e culturais do nosso povo assim como proteger os direitos patrimoniais consuetudinários e o patrimônio cultural e intelectual do povo cigano.
Através de planejamentos a entidade desenvolve projetos e ações voltadas aos membros de clãs menos favorecidos dando a eles a oportunidade de práticas de cidadania. Assim como, também desenvolve projetos voltados aos não-ciganos visando, através da cultura, diminuir os preconceitos e criar a possibilidade de
integração social. Composta por representantes de vários clãs ciganos e colaboradores de cultura não-cigana, valoriza o processo de construção de uma sociedade justa. Em 20 de junho, Nicolas Ramanush – cigano do clã Sinte-Valshtike – publica a primeira proposta de gramática e vocabulário do Romani-Sinte da América
Latina – o livro Palavras Ciganas
2010 França: O presidente francês, Nicolas Sarkozy, começa hoje a expulsar ciganos que vivem de forma irregular no país. O primeiro grupo sairá em um avião fretado pelo governo em direção à Bulgária e à Romênia, levando 79 pessoas. O objetivo é remover mais de 700 ciganos da França em apenas 10 dias e destruir 300 dos 600 acampamentos
ilegais que existem no país.
2011 Parlamento Europeu: O parlamento se reuniu para tratar sobre a estratégia da UE a favor da integração dos ciganos. Eis o resultado final da aprovação:

Bibliografia:
Donald Kenrick – Nicolas Ramanush

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Cultura Cigana

CHACHIPE ROMA – A VERDADE CIGANA

No passado, nós, ciganos éramos conhecidos como os "senhores da estrada". Andávamos de um lugar para outro, atravessando rios e florestas.
Percorríamos a Índia inteira, chegando ao Oriente Médio, para depois retornar. Atravessávamos reinos inimigos entre si. Para se ter uma idéia, só o Rajastão era dividido em pelo menos cem pequenos reinos.
Nós dispúnhamos de um salvo-conduto especial para atravessar uma determinada região. É que todo mundo precisava do nosso trabalho.
De fato, transportávamos mercadorias, servíamos de "correio" para as longas distâncias e éramos também os banqueiros dos grandes senhores - podíamos comprar ouro e trocá-lo por bens de consumo ou dinheiro.
Muitas vezes, o ouro e os objetos preciosos não eram carregados por nós em nossas longas viagens. Preferíamos enterrar tudo em lugares secretos.
No momento certo, sabíamos qual caixa-forte abrir para fazer os nossos negócios.
Nunca fizemos guerra. Como outros clãs, durante uma guerra, podíamos ser recrutados para ajudar um determinado exército, mas nunca para o combate.

Ficávamos na retaguarda, prestando às tropas todo tipo de serviço necessário. Em caso de derrota, nada sofríamos, porque todos reconheciam o nosso valor social.
Outras atividades importantes sempre foram a música, a dança, a acrobacia e o teatro nas cortes dos reis ou para os soldados.
Hoje, vocês podem encontrar-nos aos milhões em periferias anônimas, pobres, às vezes miseráveis. Dignidade suficiente, porém, não nos falta, numa sociedade que mudou muito desde os tempos em que nós, ciganos, éramos reis das estradas. Éramos os Banjaras (ciganos músicos e dançarinos)
Mas , aproveito para lembrar de outros clãs:
Os Hakkipikki – caçadores do centro sul da Índia;
Os Gadha Lohar – que trabalham com metais;
Os Rabari – pastores de ovelhas, cabras e camelos;
Os Korwas – fabricantes de pulseiras, colares e coroas;
Os Kalibilias, os Nat e os Bopas – dançarinos, músicos, acrobatas de circo.
Estes são os verdadeiros nomes dos clãs que deram origem às pessoas que no futuro seriam chamados de ciganos.
Conforme vimos acima, “cigano” é um termo genérico surgido na Europa do Século XV.
Nós, no entanto, costumamos usar autodenominações completamente diferentes. E hoje, costumamos distinguir três grandes grupos:

os ROM, ou Roma, que falam a língua romani; são divididos em vários sub-grupos, com denominações próprias, como os Kalderash, Matchuaia, Lovara, Curara entre outros; são predominantes nos países balcânicos, mas a partir do Século XIX migraram também para outros países europeus e para as Américas;

os SINTI, que falam a língua romani-sintó são mais encontrados na Alemanha, Itália e França, onde também são chamados Manush;

os CALON ou KALÉ, que falam a língua caló, “ciganos ibéricos”, que vivem principalmente em Portugal e na Espanha, onde são mais conhecidos como gitanos, mas que no decorrer dos tempos se espalharam também por outros países da Europa e foram deportados ou migraram inclusive para o Brasil.
Estes grupos e dezenas de sub-grupos, cujos nomes muitas vezes derivam de antigas profissões (Kalderash = caldeireiros; Ursari = domadores de ursos, entre outros) ou procedência geográfica (Moldovaia, Piemontesi,entre outros.), não apenas têm denominações diferentes, mas também falam línguas ou dialetos diferentes.
A discriminação e o preconceito não vem apenas dos não-ciganos, também existe entre os clãs, e tem suas origens arraigadas no princípio de nossa História (na separação entre castas indianas e sua falta de mobilidade social). Mas como se isto não bastasse alguns clãs ciganos ainda se discriminam mutuamente, também, por outro motivo: os ciganos sedentários muitas vezes olham com desprezo para os ciganos nômades, dizendo: eles persistem nessa vida “primitiva”, enquanto os nômades acusam os sedentários de terem abandonado as tradições, e com isto terem deixado de ser ciganos.
Ao chegarmos na Europa, no início do Século XV, nós, ciganos, podíamos ainda ser identificados através de nossa aparência física, sendo a característica mais marcante a nossa pele escura. Hoje isto já não é mais possível. Casamentos com não-ciganos sempre ocorreram, de modo que em muitos países hoje, nós fisicamente, não nos distinguimos da população gadjé (não-cigana) nacional. Ciganos “racialmente puros” hoje não existem mais em canto algum do mundo, e do ponto de vista da Antropologia, nunca existiram, porque nunca existiu uma “raça” exclusivamente classificada como cigana. Ou um país, cujo habitante fosse denominado de cigano. Impossível, portanto, identificar os ciganos através de características físicas peculiares ou estabelecer “critérios biológicos de ciganidade”.
Classificar como “verdadeiros ciganos” todos aqueles que falam um dos vários dialetos romani, também não adianta, porque muitos ciganos já não o falam mais e outros o dominam muito mal, ou até já o esqueceram por completo.
Afirmo como antropólogo, lingüista e cigano que é inadmissível a distinção entre “verdadeiros ciganos”, aos quais se atribuem uma origem exótica e riqueza cultural, e “os outros”. Ou seja: não existem ciganos autênticos e falsos ciganos: existem apenas Rom, Sinti e Calon, que possuem inúmeras autodenominações, que falam centenas de dialetos, que têm os mais variados costumes e valores culturais, que são diferentes uns dos outros, mas que nem por isso são superiores ou inferiores uns aos outros.
Em comum, todos, nós, ciganos, temos apenas uma coisa: uma longa História de Espiritualidade, de Arte, de perseguição, de discriminação pelos não-ciganos , em todos os países por onde passamos, desde o nosso êxodo do norte da Índia até ao aparecimento na Europa, no início do Século XV.

Nicolas Ramanush

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Música Cigana

Estilos de Música Cigana - por país.

A música cigana albanesa

Na Albânia, como também em Kosovo, orquestras de ciganos usam acordeões, clarinetes e também Bouzoukis. O estilo deles de música é uma mistura de música turca e grega.

A pessoa passa de canções, fundadas principalmente em uma voz que lembra uma melodia árabe a pedaços instrumentais que são quase sirtakis.

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A música cigana búlgara

Até recentemente, a existência de ciganos na Bulgária foi negada. Oficialmente, havia menos de 50.000 ciganos em toda a Bulgária antes da queda do regime comunista. Porém, a verdade é diferente. Calcula-se agora que aproximadamente 800.000 ciganos vivem na Bulgária, freqüentemente em condições apavorantes, em guetos e pobreza absoluta.

A cultura de cigana búlgara é uma das mais velhas na Europa, datada de antes do século 12, e muito pouco se conhece sobre esse fato. Por exemplo, pouquíssimos arquivos foram encontrados , e para música, quase nada está disponível a um investigador.

Vários etno-musicologistas mostraram que há um elo no desenvolvimento de música cigana européia com a búlgara.

Até agora, os próprios ciganos sabem muito pouco sobre a herança musical deles.

Assim é importante produzir um registro de música cigana búlgara, livre das influências Ocidentais.

A música cigana búlgara mostra vários estilos diferentes, dependendo da região e o grupo étnico dos músicos. Vejamos os cinco principais estilos:

• Lovara e Kalderash: Estes dois grupos de ciganos têm um estilo muito específico de música. Como em outros países europeus, o estilo deles está principalmente baseado em improvisação orais sem qualquer instrumento musical.

• Norte Oeste: Na região de Din, ao longo da borda do norte iugoslavo, orquestras estão freqüentemente compostas de instrumentos de metal. Esta tradição também é achada em parte do que é agora a Macedônia.

• Norte Leste: Nesta região, uma forte influência romena pode ser detectada bem no estilo musical como nos instrumentos tocados. Por exemplo, o cymbalum está presente nestas formações.

• Sul Oeste: A música daquela região é bem parecida aquelas que encontramos na Macedônia. Zurnas, originalmente introduzidos pelos Turcos, são os principais instrumentos.

• Sul: Isto é o que poderia ser descrito como o " estilo mais Búlgaro. Na realidade, hoje em dia orquestras de ciganos da Bulgária principalmente tocam este tipo de música, com clarinetes, saxofones, acordeões , violões, baixos e percussões. O estilo de espetáculos de música marca uma forte uma influência Oriental Mediana.

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Tcheco e Repúblicas Eslovacas

Na Eslováquia, a música é muito fortemente influenciada pelo estilo de restaurante húngaro. Na realidade, às vezes é difícil de distinguir este estilo, do que pode ser ouvido na Hungria. Na República Tcheca, não há quase nenhuma música pista do que foi a música cigana original.

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A música cigana húngara

Antes de começar esta descrição, temos que acentuar que a real música cigana na Hungria não tem nenhum violino, cymbalum ou de fato, qualquer instrumento. Violões e bandolins que foram acrescentados no 19º século. Esta música está baseada em percussões e na voz. É provida pela voz humana e através de latas de leite (!) ou colheres e pandeiros. Um cantor normalmente canta a balada, enquanto os outros cantam baixos e percussões. Esta música é na realidade mais íntima ao Kelderash e Lovara , e saiba que pode ser encontrada fora da Europa.

Além desta música autêntica, outro estilo evoluiu, principalmente tocado por ciganos da Transilvânia. Este estilo, a música de restaurante denominada, é o que é melhor conhecido no oeste. É uma mistura de baladas populares húngaras, Transilvânias com muita influencia do toque vienense. Temos que levar em conta que nãoé cigana,mas é muito tocada pelos ciganos.

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A música cigana moldovana

Nesta região desenvolveu-se um estilo muito particular de música. Suas harmonias também são rememoradas na dança espanhola, seus ritmos são mais orientais enquanto seu modo de tocar e cantar é vozes -lentas ciganas, instrumentos rápidos -. Porém, as canções estão muito próximas da música de ciganos da Rússia.

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A música cigana polonesa

O cigano na Polônia, mesmo tendo sofrido enormemente durante Segunda Guerra Mundial e a ocupação alemã, a ele era permitido viajar livremente até 1961. Esta liberdade de viagem e comércio manteve o cigano relativamente forte no que diz respeito ao cultivo de sua música .Esta música é influenciada certamente pela música de cigana da Rússia. Primeiro, ela está baseada em acordeões e violino, com possivelmente um clarinete, e segundo, seus ritmos definitivamente são poloneses. Mazurkas, valsas e músicas folclórica polonesa. Ao contrário do estilo russo, o cigano polonês fundou uma música baseada mais em instrumentos que em voz. Não são ouvidos coros e normalmente, há só um cantor. As terças e as quintas são feitas pelos instrumentos e não pelas vozes.

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A música cigana romena

Ao contrário das convicções habituais, música de ciganos romenos não apresenta um estilo unificado. Na realidade, a maioria das gravações daquele país são de baladas populares romenas tocadas por ciganos. Há 3 estilos principais de música de cigana na Romênia.

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A Música cigana brasileira

No Brasil , apesar da presença dos ciganos desde o século XVI, eles têm pouca influência em nossa música popular. Aqui, o estilo de música cigana mais tocada é a Kalderash, própria para dançar com acompanhamento de ritmo das mãos e dos pés e sons emitidos sem significação para efeito de acompanhamento. Esse tipo de música é repetida várias vezes enquanto as ciganas dançam. Alguns outros clãs de ciganos no aqui no Brasil conservam a música tradicional dos ciganos húngaros, um reflexo do estilo de música do leste europeu com a influência do violino, que é um dos símbolos mais tradicionais nas músicas ciganas.

Ritmos ciganos no Brasil:
- o ritmo baladi que vem do Egito envolve movimentos com objetos ciganos. Alguns movimentos envolvem lenços, punhais, espadas, adagas, potes de água e até mesmo garrafas de bebidas nas mãos;

- a Zapaderin, dança secreta das ciganas, que invoca o amor do cigano.


- Manouche e Sinti é o ritmo que traz do íntimo da mulher a sensualidade, a alegria e a beleza de sua força interior.

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A música cigana russa

De acordo com as antigas crônicas russas, o primeiro cigano chegou na Rússia no século XV. Desde que foram proibidos instrumentos musicais na Rússia entre os séculos XIV e XVII, o cigano russo criou uma tradição musical baseada em coros.

No século XVIII, apareceu um instrumento sem igual: o violão de sete cordas. Até muito recentemente, este era quase o único instrumento tocado pelo cigano russo. Este violão, afinado em SOL permite linhas de baixo melódicas como também harmonias que podem lembrar um jazz. As percussões eram, sempre presentes, feitas com utensílios de cozinha como colheres e panelas. E noutras vezes era utilizado o pandeiro ou o que chamamos de “percussão no corpo” com batidas de pé ao chão, estalos de dedos e batidas com as palmas das mãos, nas próprias mãos e em outras partes do corpo.

A tradição de coros de ciganos alcançou seu cume no século XIX e continuou até a revolução. Cabarés, caracterizando os músicos ciganos, como o " Yar " em Moscou eram renomados, e foi descrito na literatura russa, (i.e. Pushkin). Durante aquele período, o cigano russo cooptou o estilo russo de romances musicais. O violino apareceu, importado dos ciganos dos Bálcãs.

Além deste estilo, eram tocadas, em casa, as canções tradicionais. Apesar da revolução, guerras, escassezes ou emigração a herança musical desse cigano sobreviveu.

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A música cigana ucraniana

Esta música quase que desapareceu hoje em dia, pois foi sendo substituída pela música cigana russa. Quando a ouvimos, percebemos que está baseada no cymbalum e está muito próxima do estilo Moldaviano.

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A música cigana européia Ocidental

• Jazz Cigano: Este estilo de música cigana, foi criada por Django Reinhardt em 1930, junto com Stéphane Grapelli. É uma mistura de Jazz e música cigana tradicional, tal qual os estilos Kalderash e Lovara. Este estilo quase chega a ser a única música que as pessoas ouvem no norte da França e Alemanha.

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A música cigana da ex-Iugoslávia

A música cigana Vojvodina emergiu de uma mistura de estilos diferentes. Como o Vojvodina era uma região da borda do Império otomano, podem ser facilmente reconhecidas as harmonias e ritmos turcos, e tendo sido uma parte de Hungria, existem fortes influências húngaras. Esta música evoluiu em acampamentos ciganos como uma dança e música de festa. E é quase que completamente tocada e cantada por homens. O violino desempenha o principal papel, um pouco como um " Balletmeister ". Na realidade, nós ainda podemos ver tocadores de violino que cantam e tocam para que haja a harmonia nos acampamentos.

Além deste instrumento de solo (o violino), podem ser ouvidos também tamburitsas. Este instrumento também é encontrado no Burgenland da Áustria, é um violão de quatro cordas. Nas formações típicas do Vojvodina têm três tamburitsas, um na frente que toca em terça às variações do violino para dar um ritmo , e um contralto que toca mais baixo em quinta, criando as linhas melódicas.

Ao contrário da música dos ciganos da Sérvia, o ritmo é bastante imponente, mas cheio de síncopes. Um solista ao violino conduz a melodia e os outros tocadores realizam a parte rítmica , enquanto realizam o baixo e a segunda voz.

• Música de ciganos sérvios: A base das orquestras ciganas, neste país são o acordeão e o violino. Em contraste com a música do Vojvodina, os ritmos são muito mais orientais; 7/9, 11/13 são habituais na execução de seus compassos.

• Macedônia: Dois tipos diferentes de música coexistem neste país. Primeiro, orquestras de metal que são usadas quase que exclusivamente para casamentos e funerais, como ilustrado nos filmes de Kusturitsa. Uma versão mais antiga deste tipo de música existe, onde todos os instrumentos de metal são substituídos por zurnas, um instrumento turco relacionado ao clarinete. O outro estilo é o flamenco, no qual eles também usam instrumentos de metal, mas das harmonias, e qualquer pessoa, ao ouvi-la, diz que parece-se emmuito com a música de Andalusia.

• Na Croácia, Eslovênia e Bósnia, diferente dos Iugoslavos, estilos diferentes coexistem. É muito difícil de descobrir o que era a música original, especialmente porque a maioria dos grupos , hoje, toca com instrumentos elétricos.

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Música cigana balcânica

A música do cigano balcânico é influenciada muito fortemente pela ocupação turca,que se deu durante pelo menos 500 anos , naquela região. Porém, há estilos diferentes em cada uma das regiões e tipos diferentes de música.

Orquestras de metal: Estas orquestras tocam originalmente em casamentos e funerais e são encontradas na Sérvia, Macedônia e Bulgária. Elas foram quase imortalizados nos vários filmes de Kusturica.

Zurna e outros instrumentos de sopro: originalmente, a maioria dos músicos toca a Zurna. Um tipo de clarinete em madeira que era usado pelo exército turco como um sinal de ataque nos campos de batalha. Muitos ciganos tocaram a zurna nos exércitos otomanos, e por esse motivo mantiveram o uso desse instrumento. Hoje em dia, é substituído freqüentemente pelo clarinete e o saxofone. Originalmente as percussões eram realizadas pelo tepan, um tambor turco.

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Múscia cigana carpathian

O verdadeiro Carpathian dos músicos ciganos é muito mais autêntica dos que as pessoas pensam: violino, baixo e cymbalom. Na Hungria é chamada “música de restaurante” e nas repúblicas checas e eslovacas é cantada ainda em romani.

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Música cigana nórdica

Há três grandes estilos entre os grupos de ciganos nórdicos:

1- O flamenco;

2- O jazz cigano;

3- E a música cigana russa.

Todos esse estilos têm o violão, em comum, como instrumento e, com exceção do jazz cigano, há uma arranjo melódico para as vozes muito bem feito.

Na realidade, olhando para música cigana russa e o flamenco todos freqüentemente se surpreendem pelas semelhanças existentes entre os dois.

Apenas o Jazz Cigano, uma criação de Django Reinhardt em 1930 é diferente. Pois, é autenticamente cigano, sem deixar de ser um novo estilo para a época. Sendo tocado predominantemente pelo clã dos Sinti (ciganos do sul da França).

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Música cigana Vlax-Kalderash

Como o estilo nórdico, o Vlax-Kalderash possui muitos estilos diferentes:

Por um lado, há a música de lautari " romena ", com cymbalum, violino, etc. prevalecente na Romênia e Transilvânia, a música do Vojvodina, com sua característica utilização de quatro violões , e finalmente o Vlax húngaro música cigana, com violão e baixo feito pela voz.

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Discografia

A lista de bons músicos ciganos é longa...

Música cigana balcânica

Kocani Orquestra

Papazov Orquestra

Yuri Yunakov

Esma Redžepova

Música cigana da Checo-eslováquia

Vera Bila

Ida Kelarova

Perumos

O Jazz cigano

Django Reinhardt

Rosenberg Trio

Titi Winterstein

Dorado Schmidt

Tchavolo Schmidt

Angelo Debarre

Música cigana húngara

Ando Drom

Nevo Drom

Kalyi Jag

Música cigana russa

Arbat

Aliocha e Valia Dimitrievitch

Les Tsiganes Ivanovitch

Trio de Kolpakov

Bareh Droma

Família de Buziliev

Loyko

Lida Goulesco

Música cigana romena

Taraf de Hajdouk

Taraful din Baia

Toni Iordache (também às vezes chamado de Lordache)

Gabi Lunca

Romica Puceanu

Música cigana sérvia

Šaban Bajramovic

Pera Petrovic

Música cigana brasileira

Nicolas Ramanush

Ronn Markes

Mio Vacite

Alexandre Flores

Outros misturados

Opus 4

Natacha e Nuits de Príncipes

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Entendendo a diferença entre casta e classe social

Exemplo, quem nasce no Brasil, que é considerada uma sociedade liberal, vive em um sistema social que é dividido entre classes. E isto permite que alguém que tenha nascido dentro da classe baixa possa ascender à classe alta. Contudo, no sistema de castas que ainda ocorre na Índia, aquele que nasce em uma casta inferior não tem mobilidade e morre na mesma. Pois trabalho e riqueza não são parâmetros e sim os critérios de natureza hereditária e religiosa é que formam os grupos sociais.

Em outras palavras o sistema de casta é um sistema social hereditário, endógamo ( casam-se com os da mesma casta) , além de ser fundamental a mesma profissão, hábitos alimentares, vestuário e comportamento social.
O que torna a sociedade de castas estática, sem mobilidade.

Foi o Hinduismo que criou a divisão da sociedade indiana em castas.
As castas são definidas de acordo com a posição social que determinadas famílias ocupam. Estabelecendo assim uma hierarquia social caracterizada por privilégios e deveres.

Atualmente, existem milhares de castas distintas na Índia.
Esse sistema tem como principal característica a segregação social, determinando a função das pessoas dentro da sociedade indiana. Tal segregação resulta na desigualdade social. Esta, que é explicada pelo fato de um indivíduo não poder ascender para uma casta superior.
Apesar do governo não admitir, pois afirma que a lei proíbe a divisão social em castas, na prática a verdade é que esse sistema está presente em toda a sociedade.

O regime de castas vigora a mais de 2600 anos. E isso se deu quando os arianos (invasores) foram diferenciados dos habitantes mais antigos (que possuíam a pele mais escura) pelo termo “varna” que em sânscrito significa cor. A partir daí os “varna” foram socialmente ordenados de acordo com cada uma das partes do corpo de Brahma, Deus maior da religião Hindu.

No topo do poder temos: os brahmanes ( sacerdotes, professores e filósofos) que se autodenominaram a boca de Deus;
Logo abaixo os kshatriyas (políticos e militares) que se autodenominaram os braços de Deus;
Abaixo os vayshias (agricultores e comerciantes) que se autodenominaram as coxas e pernas de Deus;
Abaixo os shudras (camponeses, operários e artesãos) que se autodenominaram os pés de Deus;
Abaixo os dalit e ou pariahs ( os que realizavam trabalhos desprezíveis, como a limpeza de esgotos, o recolhimento do lixo e o funeral dos mortos – que após o êxodo passaram a ser denominados como ciganos) que eram denominados pelos membros de outras castas como “o pó debaixo dos pés de Deus”.

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Entendendo a diferença entre os clãs ciganos

Embora hoje, ciganos que moram em diversas partes do mundo, usem autodenominações diferentes para as sociedades oriundas dos clãs, tais como
Sinte, Calon, Manoush, Calderash, Lovara, Machuaia, Xoraxane etc. Todos nós reconhecemos uma origem comum e identidade básica no que chamamos de Rroma. Criando desta feita uma dicotomia com os não ciganos.

A autodenominação do clã que eu faço parte, por exemplo, Sinte é usada por membros de um clã de ciganos, cujo maior número ainda mora na Alemanha. Conseqüentemente, a denominação dada por membros de outros clãs ao cigano que vive na Alemanha é Sinte. Mas é importante esclarecer que existem sub-clãs do Sinte: o Sinte Piemontekari (os que vivem no norte da Itália) e o Sinte Valshtike ( os que vivem ao sul da França).

Portanto, Rrom é a autodenominação que a maioria dos ciganos utilizam no mundo quando querem se rotular em condições étnicas. Etimologicamente, a autodenominação Rrom está vinculada com o nome Dom que por metaplasmo passou a ter este som Rrom. Hoje, numerosos indivíduos da casta indiana jati, espalham-se ao redor do norte da Índia e são rotulados de Dom.

Rrom (Dom) é um termo muito antigo. O Dom já aparecia em registros do " Sádhanamálá " (século oito). Naquele momento, o rei dos Dom, Heruka regeu um dos pequenos reinos indianos. (Antigamente havia um número enorme de reinos pequenos na Índia). Em pesquisas recentes ainda encontramos ruínas de lugares com nomes como " Domdigarh ".
Durante a dinastia Gupta nossos mais remotos antepassados perderam o poder e posição, ou seja, perderam o estado étnico original e tornaram-se uma casta indiana. E é obvio que os vencedores consideraram esses que eles derrotaram como inferiores.

Os antepassados dos Dom pertenceram à população pré ariana da Índia que eles habitaram antes dos arianos invadirem a Índia em 1500 AC. Naquele momento, o Dom não usava ainda o termo Dom para se autodenominar , mas o termo caracterizava o tipo físico, a cultura e a religião.

Onde e quando nossos antepassados partiram da Índia realizando o grande êxodo ainda é uma pergunta em aberto. O cigano e estudioso da nossa origem Dr Ian Hancock, professor em Universidade de Texas em Austin, E.U.A., defende que nossos antepassados lutaram contra guerreiros árabes que conquistaram a Índia do oitavo para o décimo primeiro século. O pior destes invasores foi Muhammad Ghaznavi (11º século), que invadiu e saqueou a Índia vinte e uma vezes. E foi justamente naquele momento que nossos antepassados deixaram em um grande êxodo a Índia. Na opinião de Hancock, nossos antepassados eram uma população misturada composta de " Rajputs " (uma casta alta de guerreiros) e os Dom. E isso se torna provável, pois é indiscutível que os exércitos precisavam de músicos como também de ferreiros e negociantes que poderiam adquirir bestas de fardo - cavalos e bois. E essas profissões eram praticadas pelos membros da casta de Dom.

Bem, este texto foi elaborado para lançar um pouco de luz na Questão Cigana, pois vez por outra ouvimos um membro de determinado clã dizer que ele sim é o verdadeiro cigano e que o outro já não é por esse ou aquele item. Contudo isso decorre do fato de que a maioria dos rroms (ciganos) traz de forma atávica aquela segregação oriunda das diferenças de casta e infelizmente acaba por mantê-las com relação aos clãs. Segue abaixo uma síntese sobre os diversos clãs e sub clãs já catalogados.

Ambrelara, o termo designa um sub clã Rrom de ciganos nascidos na Eslováquia que sobreviviam e alguns ainda sobrevivem do conserto de guarda-chuva;

Asurara, assim se autodenominou o sub clã Rrom de ciganos que chegou à Eslováquia e se apresentou aos ciganos de lá como fabricantes e vendedores de jóias, anéis, pulseiras e brincos.

Aurari, originalmente um sub clã Rrom de ciganos da Romênia que vivia de trabalhar o ouro. Hoje em dia a maioria é fabricante de artefatos de madeira.

Mechkara ou Ursari, um sub clã Rrom de ciganos da Romênia que viviam do adestramento de ursos para apresentações públicas e em circos.

Balanara, um sub clã Rrom de ciganos da Eslováquia que vivia da fabricação de cochos e colheres de madeira.

Bergitska, sub clã Rrom de ciganos que por tradição habitam as bordas polonês - eslovacas da região montanhosa. Eles falam um dialeto que é compartilhado entre os ciganos Eslovacos e Sérvios desenvolveram as profissões de músicos e ferreiros.

Bohémiens, um sub clã Sinte de ciganos originários da República Tcheca que foram habitar regiões da França.

Bosha, sub clã Rrom de ciganos originários da Armênia.

Burgenland, um sub clã Sinte de ciganos originários da Áustria sendo a grande maioria da profissão de ferreiros e músicos.

Romungro, um sub clã Rrom de ciganos, como o próprio nome já denuncia, nascidos na Hungria ( Rrom + Húngaro)

Calderash um sub clã Rrom originário da Romênia e como o próprio nome em romeno indica “caldare” significa caldeirão. Eles ainda vivem como fabricantes e consertadores de caldeirões, panelas, tachos etc. Hoje a maioria vive espalhada pela Europa e Américas.

Calê, um grande clã Kalon de ciganos originários da Espanha, sul da França e Finlândia e Catalunha. Eles falam o Calé um para-Romani misturado com o espanhol. As principais profissões são as de músico, dançarino e criadores adestradores de cavalos.

Chuxni um sub clã Rrom de ciganos originários da Rússia, cuja profissão principal era a de fabricante de peneira.

Druckara um sub clã Rrom de ciganos originários da Eslováquia e como o nome em eslovaco já denuncia (significa tronco de árvore) ganhavam a vida grudados em troncos das árvores colhendo e vendendo avelãs.

Djambaza um sub clã Rrom de ciganos que viviam do comércio de cavalos nas regiões dos Bálcãs e da Turquia.

Djugí uma casta de ciganos que ainda vive na Índia e o nome em sânscrito significa “santo” porque na realidade abdicam de uma vida normal para viverem rezando todos os dias. E para isso recebem em troca ajuda do povo tal qual mendigos.

Estrekarja um sub clã Sinte de ciganos originários da Áustria.

Fandari um sub clã Rrom de ciganos da Rússia que exerceram atividades militares.

Gharbilband um sub clã Rrom de ciganos que pertenceu a casta homônima da Índia que vivia da fabricação e comercio de peneiras. E ao chegar à Europa fixaram-se na Romênia e Hungria.

Ghurbat-Lovara um sub clã Rrom encontrado em quase toda região balcânica que tornaram-se os melhores negociantes de cavalos. Hoje em dia a maioria encontra-se dispersa por Europa e Américas.

Labanci um sub clã Rrom já completamente extinto que serviu como oficiais do exército de Hapsburg imperial usados por kuruz húngaro rebelde (os participantes na insurreição feudal). Eram originalmente membros do clã Bergitska.

Lombardos um sub clã Sinte ciganos originários da Lombardia que deram início ao trabalho como circenses. Foi com este clã que membros de outros clãs originaram os ciganos do clã Boyashas artistas circenses.

Manush um sub clã Sinte ciganos cuja maioria atualmente vive ao sul da França. Também autodenominado de Sinte-Valshtike.

Piemontakeri um sub clã Sinte cigano cuja maioria atualmente vive ao norte da Itália. Também autodenominado de Sinte-Piemontekari .

Patavara um sub clã Rrom de ciganos que perambula por todo o leste europeu e como o nome em Romani já denuncia (significa trapo) Eles ainda hoje recolhem roupas velhas para depois revendê-las.

Seliyeri um sub clã Rrom de ciganos originários do Irã que ainda hoje vive da fabricação e comércio de caldeirões e pentes.

Servika um sub clã Rrom de ciganos que são dessa forma denominados por serem oriundos da Sérvia. Mas também autodenominados Machuaia porque oriundos de cidade da Sérvia com o mesmo nome.

Sinte um grande clã Sinte ciganos originário do norte da Alemanha que ainda hoje são encontrados na Áustria, Republica Tcheca, Eslovênia e diversos outros paises do leste europeu e também autodenominados Sinte- gachekanes.

Xoraxane (a pronuncia é rrorarranê) um sub clã Rrom de ciganos que passaram a professar a religião islâmica.

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