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Visita a Catedral e Cripta
A Lenda de Sarah
A procissão
Centro de Cultura, "Association Santoise de Gitans et Amis"
Reunião entre Ciganos
Gens du Voyage
Curiosidades de Saintes Maries de La Mer
Acampamento Manouche
Músicos pelas ruas
Visita a Catedral e Cripta
Você pode ver na foto acima que a Cripta de Sarah la Kali situa-se logo abaixo do altar principal , e não do lado de fora da Catedral como muita gente acreditava.A Cripta é abobadada e na parte mais alta tem aproximadamente 2,80m
No horário da missa com predominância de não ciganos.
A cruz que se ve acima da porta lateral da Igreja é chamada Cruz de Camargue ela pode ser vista na maioria das casas da região e o seu simbolismo significa " a minha fé está ancorada no meu coração". Acima a esquerda ve-se a Catedral repleta de pessoas dentro , fora e na torre da mesma. Registramos aqui a saída de Sarah e na torre ve-se pessoas que buscavam uma visão privilegiada. Abaixo a tal visão privilegiada antes da procissão.
Na placa afixada na Catedral pode-se ler o seguinte: " Igreja das Santas Marias - século IX,X e XII.Dedicada as Santas Marias Jacobina e Salomé. Construida sobre um antigo santuário ( que hoje é a Cripta de Sarah),na forma de um forte para proteger os habitantes e as relíqueas das invasões Sarracenas.
Dentro da Cripta estatua de Santa Sarah patrona dos Ciganos.
Ao lado vista do telhado da Igreja.
Na praça em frente a Catedral , as ciganas praticam a leitura de mão e também levam consigo uma medalhinha de Sarah, em forma de broche, com a qual abordam as pessoas tentando vender a mesma dizendo ser tradição.
Conforme a tradição Ingrid Ramanush levou um diclo (lenço) de presente a Sarah.Centenas de outros foram presenteados até o dia da procissão.
Reunião com Claude Dumas diretor do Point d' Aumonerie e Rashaj (padre) da Igreja local, na qual abordamos os problemas dos Manushes da França e do Brasil.
A primeira menção histórica a
respeito de Sarah la Kali foi encontrada em um texto escrito em 1521,
por Vincent Philippon intitulado, A Lenda das Santas-Marias. Suas páginas
manuscritas encontram-se agora na biblioteca de Arles. Nesta versão
da lenda, Sarah vivia em Camargue, sul da França (sem mais detalhes)
entre ciganos do clã Sinte.
De acordo com outra narrativa, Sarah era de nascença
uma egípcia e foi para a Palestina como escrava de José
de Arimatéia. Este, que no ano 50 d.C empreendeu fuga da perseguição
romana aos cristãos, viajando através do mar em uma pequena
embarcação acompanhado de Maria Jacobina (irmã
de Maria de Nazaré), Maria Salomé(mãe dos apóstolos
João e Tiago) e Maria (mãe de Jesus). Eles se depararam
com uma tempestade severa e segundo essa versão da lenda, Sarah
guiou a todos, por meio da leitura das estrelas, para a costa distante,
no sul da França.
Em outra lenda que nós, ciganos Sinte, acreditamos muito mais
...Sarah la Kali foi uma cigana que estava acampada na costa ao sul
da França, quando o barco em questão se aproximou. E o
contato entre ela e as "marias vindas do mar" se deu da seguinte
forma: de acordo com Franz Ville, autor do livro (Tziganes, editado
em Bruxelas 1956): " Uma de nossa gente foi quem recebeu a primeira
revelação e essa pessoa foi Sarah la Kali. Nascida em
uma família cigana, Sarah la Kali foi a pessoa principal de seu
clã em Rhone (antigo nome da atual cidade de Saint Marie de La
Mer). Ela foi escolhida como sacerdotisa-iniciada nos elementos Terra,
Água e Ar e é por esse motivo que se vestia de preto,
daí seu nome Sarah la Kali (em Romanês, Kali significa
preto). Conhecedora de todos os segredos a ela transmitidos, e diga-se
de passagem eram muitos os segredos; pois nós, ciganos, a esse
tempo já conhecíamos os fundamentos de várias religiões
e dominávamos várias formas de ocultismo. Nessa época
uma vez por ano, os ciganos Sinte colocavam em seus ombros a estátua
de ISHTAR (a filha da Lua) e entravam no mar para receber suas bençãos
( fato que atualmente ocorre com a imagem de Sarah la Kali). Ainda há
registros nas tradições orais em Romani desta parte da
lenda:
" um dia Sarah la Kali teve visões que a informaram: as
"marias" que estiveram presentes à morte de Jesus viriam
para sua região e que ela as ajudaria. Sarah viu-as chegando
em um barco. O mar estava bravio e ameaçava afundar a embarcação.
Sarah lançou seu lenço nas ondas e, usando o mesmo, caminhou
sobre as águas ajudando as "marias" a desembarcarem
em segurança.
A bem da verdade Saintes-Maries-de-la- Mer , ou "santas
marias do mar ", é uma pequena vila de pescadores localizada
no centro-sul da costa do mediterrâneo, França, na região
de Camargue de Bouches-du-Rhone. Escavações arqueológicas
e lendas locais indicam que a região tem sido venerada como um
lugar sagrado por uma sucessão de culturas, incluindo os celtas,
romanos, cristãos e, mais recentemente, nós, os ciganos.
Uma vez que era o local sagrado da deusa tríplice celta –
ligada às águas ( a deusa tríplice é o cerne
das religiões pagãs e está presente em diversas
culturas). Na cultura celta, há várias deusas que assumem
esse papel de deusa tríplice, trazendo em si as três fases
da vida: nascimento, crescimento e morte. São representadas por
uma mulher que traz em si a adolescente, a mãe e a anciã.
O três ou a tríade, antes mesmo de ser usado no Cristianismo,
era a base da magia e religião celta, pois se baseava não
só nas três fases da vida, mas também nas estações
(que no início eram contadas como três – sendo que
uma dependia da Terra, outra da Água e a última do Ar
). Em época celta a cidade possuía uma deusa da primavera
conhecida pelo nome de Oppidum Priscum Ra. A adoração
a deusa tríplice da água foi substituída por templos
romanos dedicados a Artemis, Cibele e Ísis. Já em 542
dC, a cidade era conhecida como Saintes-Maries-de-la-Barca, em 1838,
recebeu seu nome atual: o de “Saint Maries de la mer”. Fontes
históricas mencionam uma igreja do século 9 construída
na vila, mas muito pouco se sabe sobre a história da cidade antes
do século 14, por causa de sua localização remota.
Não se sabe exatamente quando e por que a igreja da vila se tornou
o local mais sagrado dos ciganos"manushes" , algum tempo após
sua chegada na Europa no início dos anos 1400.
Outros aspectos de Sarah la Kali:
Quando nas lendas aparece a referência de que ela foi escolhida
como sacerdotisa iniciada, na realidade isso equivale a dizer: ela era
a personificação de uma Shakti. E dentro dos conceitos
atávicos que trouxemos do norte da Índia, como personificação
de uma Shakti, Sarah la Kali exercia a proteção dos oprimidos
e perseguidos e é por isso que alguns clãs ciganos peregrinam
rumo ao "santuário" de Sarah la Kali, em Saint Marie
de la Mer, na França.
Nicolas Ramanush
Esta seria a visão aproximada que as "Marias" tiveram do Mar Mediterrâneo para a região onde, conforme reza a lenda, estavam os ciganos e Sarah la Kali e que atualmente encontra-se a Catedral.
O pequeno Rhône é um dos braços de um rio que deságua no Mediterrâneo, tem 68 km , sua profundidade varia 2 a 5 metros e sua largura entre 60 e 150 metros. Aqui navegávamos em suas águas calmas e viamos o famoso Rancho Reynaud. Um dos mais antigos e importantes da região na criação de touros de Camargue.
Nesta foto você pode ver os campos de arroz, à margem do petit Rhône. O arroz é plantado em maio e colhido em setembro. Reparem que já havia alguns brotos. O arroz de Camargue é famoso no mundo inteiro pois é cultivado em água salgada que dá a ele um sabor diferenciado.
Essa vegetação é chamada de Salicórnia elas são cheias de água, óleo e sal. É usada como tempero e chamada de "sal verde".
Bem, aqui eu e minha romni, fotografados a bordo do Bateau Carmargue.
Como já registramos na primeira foto acima, agora eis o primeiro registro de vídeo feito do Mar Mediterrâneo dando à vista o mesmo que as "Marias" tiveram ao serem recebidas por Sarah la Kali e por ciganos de nosso clã os Manush - Sinte.
Sobre os cavalos camarguenses, alguns ciganos Manushes (antigamente Ordem de São Jorge) que na procissão escoltam a imagem de Sarah la Kali.
Enfrente à Catedral uma multidão de devotos (ciganos e não ciganos) se reúnem para a saída da procissão.
Na procissão Ingrid Ramanush entre ciganos da Romênia, da Espanha e padres de Saint Marie de la Mer. Detalhe segundo a tradição ninguém coloca o diclo (lenço) na cabeça, até porque a entrega deve ser feita antes da procissão.
Centro de Cultura, "Association Santoise de Gitans et Amis"
É neste edificio, Palácio de Congressos, que está sediada a Association Santoise de Gitans et Amis. Reparem que nas laterais vê-se as bandeiras da França e da União Européia.
Aqui o casal Ramanush ao lado de Therèsé Chevalier a presidente da Association Santoise de Gitans. Nesse dia Nicolas e Ingrid se tornaram membros de honra dessa associação e Therèsé Chevalier tornou-se membro de honra da Embaixada Cigana do Brasil.
Acima desenhos, fotos e pinturas do manush Jangil Ros e também de Pierro Trucco da Itália. No cartaz lê-se sobre essa exposição e também sobre projeto de alfabetização de crianças da gente de viagem (esse termo é utilizado para ciganos e não ciganos que vivem do comércio em trailers).
A convite de Therèsé Chevalier, Ingrid e Nicolas Ramanush realizaram uma apresentação de música e dança tradicional Romani no Centro Cultural de Saint Marie de la Mer. Mais uma vez mostramos à Europa que no Brasil a "romanipen" identidade cigana é resgatada, preservada e difundida.
A expressão "gens du voyage" significa viajantes. E é resultante de um decreto de 1972, na França, para qualificar o exercício de atividades econômicas e as condições de pessoas itinerantes (ciganos e não ciganos) que circulam na França sem sem residência fixa. Eles vivem em trailers onde dormem, comem e comercializam.
Nesta loja ao lado da Catedral compra-se uma bijoux que vai desde uma imagem de Sarah aos outros símbolos ciganos da região: cigarras, lagartixas, cruz de camargue etc...
Aqui vê-se os cavalos e os touros de Camargue. O cavalo de Camargue é uma raça semi-selvagem que é utilizado para cuidar do touro. Já o touro de é o resultado do cruzamento de raças locais e é menor do que o touro da Espanha.
"loli phabaj te shinava hop hop jekh pash tuke jekh pash mangue" esse trecho da letra da música Loli phabaj (maça vermelha) diz o seguinte: maça vermelha (do amor) mamãe cortava obá obá um pedaço pra você um pedaço pra mim. E assim em Saint Marie de la Mer, na praça central, nas noites a familia de Roku ainda mantén a tradição da venda da maçã do amor.
Aqui temos, ao centro, o manush Brashol fazendo a cesta de palha e de junco na melhor forma dos "cestaris". Que imagem maravilhosa, a tradição sendo mantida em pleno século XXI.
Bom aqui eu estava tocando e cantando para minha gente (na cidade onde meu pai nasceu. Cantei e a criançada sorriu! Cantei e os adultos aplaudiram! Cantei e a phuri (idosa) chorou nostalgicamente ao som de "Hozd el Istem".
Na primeira foto o grupo Urs Karppatz; acima enfrente à porta da Igreja o grupo Rasputin; abaixo tocando o violão do Nicolas, Karlo filho do Roku (o moleque é o Django Reinhart em miniatura - toca muiiito! Ciganos da Romênia tocando fanfarra! abaixo, Nicolas e Rasputin; à direita, cigano da Romênia, afinando o cimbalion.